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Corrida para evitar uma fuga de capital e estabilizar a taxa de câmbio foi deflagrada após o banco central norte-americano indicar que poderá começar a reduzir os estímulos monetários

Agência Estado

Bancos centrais da Índia, Indonésia e Turquia estão seguindo os passos do Brasil e passaram a subir juros ou adotaram outras medidas de aperto monetário numa tentativa de impedir uma desvalorização mais forte das suas moedas em relação ao dólar, temendo impacto adverso na inflação.

Essa corrida para evitar uma fuga de capital e estabilizar a taxa de câmbio foi deflagrada após o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) indicar que poderá começar a reduzir os estímulos monetários injetados na economia dos Estados Unidos até o fim deste ano. Desde então, os juros pagos pelos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) subiram com força, provocando uma alta do dólar no mercado internacional. As moedas emergentes foram as que mais sofreram com esse movimento de valorização do dólar.

Copom elevou taxa Selic a 8,5% na última semana
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Copom elevou taxa Selic a 8,5% na última semana

"A prioridade desses bancos centrais mudou: agora a preocupação é com a inflação e com a desvalorização cambial", disse Ilan Solot, estrategista de câmbio para mercados emergentes da Brown Brothers Harriman em Londres. Segundo ele, Índia, Indonésia, Turquia e Brasil estão enfrentando inflação mais alta do que muitos outros emergentes, daí a defesa do câmbio neste momento.

Na segunda-feira, 15, o BC da Índia (RBI, na sigla em inglês) elevou em 2 pontos porcentuais a taxa de juros pela qual os bancos indianos pagam para acessar recursos do RBI e assim atender às suas necessidades diárias de capital. Além disso, o RBI fará na quinta-feira, 18, uma operação de venda de títulos públicos para enxugar a liquidez no valor de 120 bilhões de rupias.

Essa reviravolta acontece apenas dois meses depois que o RBI reduziu os juros básicos na Índia. Em junho, a inflação anual na Índia bateu 9,87%.

Também na segunda-feira, o presidente do BC da Turquia, Erdem Basci, disse que está considerando elevar os juros na reunião de política monetária do dia 23. "A incerteza sobre a política monetária e fiscal e a volatilidade associada a isso recentemente têm ficado elevados no nível global. O Banco Central não permitirá repercussões negativas desses desenvolvimentos na estabilidade de preços e na estabilidade financeira na Turquia", disse Basci em um comunicado. Na semana passada, o BC turco vendeu um volume recorde de US$ 2,25 bilhões no mercado de câmbio para conter a desvalorização da lira. A inflação em 12 meses na Turquia atingiu 8,3% em junho.

Ainda na semana passada, o BC da Indonésia surpreendeu os investidores ao elevar sua taxa básica de juros em 0,50 ponto porcentual, mais do que o esperado, para 6,5%, como "medida preventiva" para evitar uma deterioração das expectativas inflacionárias. A inflação anual na Indonésia subiu para 6,9%. Na segunda-feira, o dólar ultrapassou a barreira psicológica de 10.000 rupias indonésias pela primeira vez desde 2009.

Estratégia

Com os juros de mercado nos EUA subindo e tornando aplicações denominadas em dólar mais atraentes para os investidores, o movimento de bancos centrais emergentes visa atenuar a saída de capital estrangeiro desses mercados, dizem analistas. Agravando a situação está o temor com a aceleração da inflação e da fragilidade da política fiscal desses países emergentes.

"Os países emergentes com déficits de conta corrente crescentes, cujas moedas estão sendo punidas pelo mercado desde maio, passaram a revidar (com medidas) nesta semana", afirmaram analistas de câmbio do banco ING em nota a clientes.

Também em nota a clientes, o chefe de pesquisa para mercados emergentes do banco alemão Commerzbank, Simon Quijano-Evans, disse que nos países emergentes onde incertezas quanto à política econômica estão elevadas ("com a Turquia liderando a lista, seguida da Índia"), os investidores se tornaram muito mais cautelosos. Mesmo com o alívio nas taxas dos títulos do Tesouro americano dos últimos dias, "os bancos centrais emergentes devem se preparar para o período pós-setembro quando começarmos a ver ações do Fed". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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