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Economistas projetam redução do poder de compra e alta da inflação por causa do câmbio

Brasil Econômico

Valorização do dólar deve afetar a renda
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Valorização do dólar deve afetar a renda

A renda real da população tende a perder poder de compra por causa da desvalorização do real sobre o dólar, segundo projeção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), divulgada ontem na “Carta do Ibre”, organizada pelo diretor Luiz Schymura. “É bastante provável que, no curto prazo - e talvez no médio - haja uma interrupção do crescimento da renda, do crédito e do consumo, que foi tão importante em termos sociais para o país”, diz o documento. Segundo a análise, variações de 10% no câmbio real corresponderam, de 1995 a 2011, a oscilações de 3% na renda real média brasileira.

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A economista Silvia Matos, integrante do grupo que produz a carta, salienta ser natural que, com a moeda enfraquecida, os salários cresçam menos. “A moeda enfraquece e os salários também”, afirma.

A “Carta do Ibre” relata uma correlação direta entre câmbio e renda na história recente brasileira. Para chegar a essa conclusão foi analisada a relação dos dois vetores desde 1995. “Em 2003, na esteira do pânico eleitoral causado pelo favoritismo e vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o rendimento caiu para R$ 929. Em 2011, ano em que o real chegou a uma máxima de US$ 1,54 e foi negociado o tempo todo abaixo de US$ 2, a renda real média foi de R$ 1.201. Fica claro que, mantida a tendência de desvalorização do real, deve ocorrer um recuo na renda real", informa o estudo.

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Como solução, é proposto um ajuste de balanço de pagamentos com câmbio flutuante, com a utilização de reservas internacionais para evitar "a exacerbação das tendências para além dos fundamentos e para mitigar o excesso de volatilidade".

Como consequência, os economistas da FGV preveem aumento inicial da inflação, considerado por eles inevitável. "Com o manejo adequado dos juros e de outros instrumentos acessórios à política monetária, é possível que o ajuste de preços relativos se faça de forma rápida e relativamente ordeira, com um salto inicial da inflação que seja logo corrigido", propõe a “Carta do Ibre”.

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