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Endinheirados da China se tornaram o 2º maior grupo de compradores estrangeiros nos EUA

NYT

Primeiro foram os japoneses. Homens endinheirados de Tóquio vieram em massa para os Estados Unidos para comprar alguns dos imóveis mais icônicos do país: do Rockefeller Center, em Nova York, ao Pebble Beach Golf Links, na Califórnia.

Agora, um quarto de século depois, outro grupo de estrangeiros com os bolsos recheados está comprando ainda mais propriedades nos Estados Unidos: os chineses.

Sem medo das desventuras imobiliárias dos japoneses nos anos 1980 —alguns investidores do Japão pagaram preços altíssimos por propriedades nos Estados Unidos, o que levou o país asiático a um dos maiores colapsos do mercado imobiliário na história— os investidores chineses chegam em massa aos Estados Unidos.

O que começou como algumas compras isoladas dois anos atrás se tornou uma caça desenfreada a imóveis-tesouro em negócios multibilionários. Até o momento, o tipo de medo que surgiu nos anos 1980 —temores infundados de que os japoneses estariam comprando os Estados Unidos— ainda não apareceram. Ao contrário, os chineses, ou pelo menos seu dinheiro, são bem-vindos e até mesmo celebrados.

Hotel Sheraton Universal, na Califórnia (EUA), comprado por investidores chineses
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Hotel Sheraton Universal, na Califórnia (EUA), comprado por investidores chineses

Alguns avisam que a China poderia sair rapidamente do mercado, como fez o Japão, caso a economia piore. Sinais de fraqueza econômica na China são cada vez mais frequentes e o sistema financeiro do país passou por pressões recentemente. Essas preocupações poderiam se dissipar se Pequim agir no sentido de diminuir os entraves para o setor bancário nacional, aumentando o crescimento, mas muitos economistas veem empregos reais e crescentes na economia chinesa.

Ainda assim, muitos negócios importantes foram fechados recentemente em Nova York, criando um bafafá no setor imobiliário. Zhang Xin, magnata chinesa e executiva da maior construtora comercial da China, juntou forças com a família Safra, do Brasil, para comprar uma boa parte do General Motors Building no centro da cidade. O Dalian Wanda Group, grande grupo da construção civil chinesa, afirmou que tinha a intensão de comprar um hotel de luxo em Manhattan. 

Os acordos vão muito além de torres brilhantes de concreto e vidro: investidores chineses de Hong Kong também se tornaram o segundo maior grupo de compradores estrangeiros de imóveis nos Estados Unidos, atrás apenas dos canadenses.

"Eles só estão começando", afirmou Steve Collins, diretor internacional da Jones Lang LaSalle Capital, empresa de serviços imobiliários que realizou recentemente reuniões com compradores potenciais em Xangai e Pequim. "Houve muita geração de renda por aqui".

Por enquanto, o governo chinês está encorajando o investimento e até ajudando a financiá-lo. O Banco da China, uma instituição estatal, se tornou o maior credor estrangeiro nos negócios imobiliários nos Estados Unidos, substituindo os bancos europeus.

Pequim deseja diversificar os investimentos. O governo chinês é dono de mais de um trilhão de dólares em títulos da dívida americana, mas esses investimentos geram pouco retorno, em vista de sua baixíssima taxa de juros.

"O apoio político para investimentos além dos títulos da dívida cresceu significativamente ao longo dos últimos anos e isso encorajou investidores chineses a procurarem imóveis em mercados grandes e estáveis como Nova York e outras grandes cidades", afirmou Thilo Hanemann, diretor de pesquisa do Rhodium Group, empresa que analisa tendências e negócios globais.

Os chineses não estão se limitando a negócios de grandes proporções. Algumas das compras foram relativamente pequenas para os padrões do mercado imobiliário comercial. Zhang, executiva-chefe da SOHO China e uma das mulheres mais ricas do mundo, pagou cerca de US$ 600 milhões em 2011 por 49% do Park Avenue Plaza, um arranha-céu no centro de Manhattan.

No mesmo ano, o braço imobiliário do HNA Group, uma companhia aérea chinesa, salvou um prédio comercial na Sexta Avenida da bancarrota por US$ 265 milhões. O HNa também comprou a butique Cassa Hotel, na Times Square.

Investidores e empresas da China também compraram grandes hotéis na Califórnia, incluindo o Sheraton Universal, na Universal City; o Crowne Plaza, em Burlingame, perto do aeroporto de San Francisco; e o Hilton Ontario, em Ontario. Eles também compraram um terreno de frente para o rio em Toledo, Ohio, e no começo deste ano, um prédio de escritórios em Morristown, Nova Jersey.

Além da compra de imóveis comerciais, a China está se tornando uma força poderosa no financiamento de outras partes envolvidas nos negócios. Especialmente o Banco da China, o maior credor chinês e um dos quarto maiores bancos estatais do país, cujo papel é cada vez mais importante.

"Há poucos anos, as filiais americanas dos bancos alemães estavam entre os três maiores credores para propriedades comerciais. Agora é o Banco da China", afirmou Matthew Anderson, diretor executivo da Trepp LLC, uma empresa de análise de dados que acompanha os empréstimos bancários.

As construtoras chinesas também estão passando a fazer parte dos maiores projetos imobiliários dos Estados Unidos. Em fevereiro, a construtora China Vanke realizou seu primeiro investimento nos Estados Unidos por meio de uma joint venture com Tishman Speyer para construir condomínios de luxo em São Francisco.

Outra construtora chinesa concordou em fornecer US$ 1,5 bilhão em financiamento para um projeto que irá transformar 26,3 hectares de área industrial em Oakland, Califórnia, em um bairro à beira do rio com 3.100 casas.

Alguns analistas dizem que o dinheiro chinês que está indo diretamente para o mercado imobiliário é irrisório em comparação ao dinheiro que corre no investimento privado e nos fundos imobiliários.

Nos últimos anos, a Administração Governamental de Gestão Cambial, que cuida das reservas de câmbio do país, concordou em investir US$ 500 milhões de dólares em um fundo imobiliário de US$ 13 bilhões supervisionado pelo Blackstone Group, empresa de investimento de Wall Street.

O principal fundo soberano da China, a China Investment Corp., também passou a ter interesses diretos em imóveis e a investir bilhões de dólares em fundos imobiliários geridos por grandes fundos de investimento privado.

"A grande maioria do capital chinês está chegando ao mercado de imóveis comerciais por meio de terceiros", afirmou Dan Fasulo, diretor executivo da Real Capital Analytics. "Eles estão injetando bilhões de dólares no sistema de forma quase imperceptível."

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