Tamanho do texto

Bancos Itaú e Bradesco tiveram baixa de mais de 15% na bolsa desde o início de junho; BTG Pactual, de André Esteves, também foi contaminado pela má fase do empresário

Não apenas as três empresas do Grupo EBX que compõem o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, mas também os bancos com capital aberto que realizaram empréstimos ao grupo, e, de forma indireta, todas as ações do índice, estão sentindo reflexos negativos da onda de notícias sobre a deterioração dos negócios do grupo controlado pelo empresário Eike Batista. 

Preço dos papéis das empresas de Eike Batista despencaram na bolsa
Getty Images
Preço dos papéis das empresas de Eike Batista despencaram na bolsa

Os analistas do banco de investimentos Merrill Lynch concluíram que a exposição está concentrada em cinco bancos brasileiros, a começar pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal, seguidos dos bancos privados Bradesco SA, Itaú Unibanco e grupo BTG Pactual SA, disseram Arlant e seu time de analistas, com informações da Reuters.

Os papéis do Bradesco registraram queda de 15,4% em junho e, desde o início deste mês até o pregão da última quinta-feira (4), tiveram baixa de 6%. Já o papel do Itaú caiu 11% em junho, e registrou queda de 6% nos quatro primeiros dias deste mês. A Itaúsa caiu na mesma proporção: 11,9% em junho e 5,3% este mês. 

Leia também: BNDES diz que emprestou R$ 10,4 bilhões ao Grupo EBX, de Eike Batista

O preço das ações do BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, que está participando da operação de reestruturação do grupo, mas não faz parte do Ibovespa, teve queda de 16,5% em junho, e caíam 0,8% até ontem, dia 4.

Juntos, os papéis da MMX, OGX, LLX representam, aproximadamente, 7% do índice Ibovespa em volume de negócios. Os credores do grupo que fazem parte do índice, os bancos Itaú e Bradesco, representam quase 9% do índice. Se considerarmos as ações da Itaúsa, holding controladora do Itaú, a participação dos credores sobe para mais de 11,5%.

Empresas e credores têm peso de quase 20%, o que pressiona o índice para baixo. Em junho, o Ibovespa caiu 11,3%, e registra baixa de 3,6% nos primeiros dias deste mês.

A consequência é que fundos passivos, que replicam o índice, sofrem perdas, assim como fundos que têm em carteira uma porção de ações ligadas ao Ibovespa. Sua rentabilidade varia conforme a variação do Ibovespa. Em geral estrangeiros, eles podem optar por realizar o lucro dessa porção ligada ao índice, o que acaba por ter reflexos negativos para as outras empresas que compõem o Ibovespa. 

O cenário, segundo analistas do mercado, é de desconforto. Isso porque acontece em um momento de deterioração da economia brasileira e recuperação do cenário econômico dos Estados Unidos, o que provoca uma fuga de capital de investidores estrangeiros do País, que optam por retirar investimentos de ativos de maior risco em mercados emergentes. 


    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.