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Modalidade respondeu por cerca de 44% da captação líquida do primeiro semestre

Brasil Econômico

Os investidores elegeram os fundos de curto prazo como rota de fuga para o labirinto financeiro de 2013. No primeiro semestre, esse tipo de fundo respondeu por 43,7% da captação líquida do total de fundos de investimento ao atingir R$ 27,7 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) até 25 de junho. No mesmo período do ano passado, no entanto, eles eram responsáveis por apenas 11,6% ou R$ 8,6 bilhões.

Indústria de fundos de investimento viu as suas captações recuarem em 14,6% no primeiro semestre
Arte iG
Indústria de fundos de investimento viu as suas captações recuarem em 14,6% no primeiro semestre

A explicação para esse interesse é o tempo médio da carteira, de 60 dias, e não o tipo de papéis que carregam. É que, em meio à falta de clareza no cenário econômico mundial, torna-se importante poder fazer movimentações rápidas para se aproveitar ganhos em diferentes mercados - e a tendência é que esse movimento dos investidores se acentue no segundo semestre. Parte desse movimento é realizado também por grandes fundos exclusivos que usam os de curto prazo até realizarem investimento em algum mercado.

O que demonstra que a busca por esses fundos está centrada no tempo de maturação da carteira é o fato de os fundos referenciados em DI – que também seguem CDI e Selic assim como os de curto prazo – registrarem, na direção contrária, uma retirada líquida de R$ 14 bilhões no ano.

“Os investidores têm deixado no curto prazo até conseguirem tomar decisão, porque ainda não está claro como fazer uma estratégia de médio e de longo prazo”, comenta Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating. “É uma reação natural por causa do cenário. Existe uma enorme frustração com a rentabilidade de títulos de renda fixa, fundos multimercados e bolsa. Como não existe muito mais papéis pós-fixados, estão buscando o feijão com arroz, que são títulos atrelados a DI”.

“A tendência é que isso se acentue no segundo semestre porque o mercado de renda fixa privada não tem ido bem, assim como o dos títulos prefixados e a bolsa. Acrescentam-se a isso as incertezas políticas, especialmente econômica, no Brasil e nos Estados Unidos. Portanto, sobra o DI que era o patinho feio, no ano passado, quando os juros estavam recuando”, diz Santacreu.

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Ao todo, a indústria de fundos de investimento viu as suas captações recuarem em 14,6%, em relação a 2012. Enquanto no primeiro semestre deste ano, foram registrados R$ 63,5 bilhões de captação líquida somando todos os tipos de fundos, no mesmo período do ano passado, as captações atingiram a marca histórica de R$ 74,4 bilhões. Por sua vez, a retração no patrimônio líquido foi de apenas 0,52%, ao sair de R$ 2,11 trilhões para R$ 2,10 trilhões.

Apesar de liderarem a captação líquida, os fundos de curto prazo não foram os campeões em rentabilidade no ano. Atingiram 3,39% contra os 8,44% dos fundos cambiais – aproveitando a onda da oscilação da moeda desde o início do ano. Outro tipo que tem apresentado bons rendimentos são os de ‘investimentos no exterior’, com alta de 5,83% até 25 junho, segundo dados da Anbima. No ano passado, no entanto, os campeões de rentabilidade foram os de ‘ações dividendos’ com valorização de 10,93% - até o mês passado, retraíram 9,77%. Outro que teve bom desempenho foi o renda fixa índices com alta de 10,43%, enquanto, neste ano, amarga uma queda de 3,73%.

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Na categoria de fundos estruturados, a captação líquida soma R$ 32,6 bilhões puxada pelos Fundos de Investimentos e Direitos Creditórios Agro, Indústria e Comércio com R$ 25,6 bilhões. O patrimônio líquido chegou a R$ 214,7 bilhões. Desta forma, os fundos domésticos atingiram um PL de R$ 2,31 trilhões, enquanto os ‘off shore’ chegaram a R$ 71 bilhões.

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