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Somente neste mês, dez empresas anunciaram que recomprarão suas ações em circulação no mercado. Entre elas estão nomes como MRV, Cosan, Banco do Brasil e Bradesco

Brasil Econômico

O mês de junho vai ficar marcado não só pela queda expressiva da bolsa de valores brasileira, como também pelos inúmeros programas de recompra de ações anunciados no período. Os papéis estão em uma verdadeira liquidação depois de o principal índice da Bovespa ter caído quase 15% em menos de um mês, sob pressão dos mercados internacionais. O resultado é que somente neste mês, dez empresas anunciaram que recomprarão suas ações em circulação no mercado. Entre elas estão nomes como MRV, Cosan, Banco do Brasil, Bradesco e a própria BM&FBovespa. Se considerado as últimas semanas, foram dez ao todo os anúncios de recompra.

Bovespa
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Um dos principais objetivos destas companhias ao comprar suas próprias ações é sinalizar aos investidores que a empresa acredita em sua capacidade de originar resultados no longo prazo e que os papéis não estão devidamente precificados. “Os fundamentos da companhia, em termos de solidez, capital, liquidez e perspectivas, não estão refletidos no preço da ação negociada na BM&FBovespa”, diz Ricardo Gelbaum, diretor de relações com investidores (RI) do Banco Daycoval.

De acordo com o executivo, depois do processo de conversão de bônus em ações no valor de R$ 400 milhões do banco, o percentual de ações em circulação (free float) ultrapassou o limite mínimo de 25% exigido de empresas listadas em níveis diferenciados de governança corporativa, estabilizando entre 29% e 30%. Com isso, o banco pode fazer esse tipo de operação sem se preocupar com o desenquadramento à regra. “Mesmo se adquiríssemos todas as ações previstas no programa, 3 milhões, ainda assim nosso free float seria de 27%”, diz.

Se mantida as condições de mercado, é provável que mais empresas anunciem programas de recompra de ações nos próximos dias. “Se o Ibovespa mantiver os atuais patamares de pontuação, mais empresas devem anunciar que recomprarão suas ações em circulação”, diz Alexandre Marques Filho, analista da Elite Corretora, uma das casas que atua como intermediadora da operação.

A XP Investimentos também faz a intermediação da operação entre a companhia e o mercado — hoje, atua na recompra de ações da Anhanguera Educacional, BM&FBovespa, BR Malls, CSU CardSystem, Klabin, Banco Pine, Rodobens Negócios Imobiliários e Tarpon Investimentos. Willian Alves, analista da corretora, também acredita que o número de empresas que pretende recomprar suas ações será ainda maior. “O mercado financeiro é irracional e não necessariamente precifica adequadamente as ações em momentos de crise, então um número maior de empresas deve anunciar em breve programas de recompra”, diz ele.

Um dos maiores programas de recompra de ações anunciado recentemente, em termos nominais, foi o do Bradesco. O banco recomprará até 7,5 milhões de ações preferenciais e 7,5 milhões de ações ordinárias, que representam pouco mais de 5% dos papéis em circulação, para permanência em tesouraria e posterior alienação ou cancelamento. Em nota, o Bradesco explicou que é um “programa que o banco tem autorização para manter aberto e renova automaticamente.”

O Banco do Brasil também recomprará um número grande de ações ordinárias em circulação: 50 milhões. No último programa, encerrado em janeiro deste ano e que também previa a recompra de até 50 milhões de papéis, a instituição financeira adquiriu 20,2 milhões de ações de sua própria emissão, pelo valor total de R$ 461,2 milhões, resultando no valor médio por ação de R$ 22,83.

Um ponto que os analistas destacam como negativo de um programa de recompra de ações é a redução da liquidez, que preocupa, principalmente, os acionistas das empresas de pequeno porte. “Se por um lado, com menos ações em circulação a distribuição de proventos por papéis é maior, por outro a redução da liquidez limita a entrada e a saída dos investidores no capital ”, destaca Filho. “Além disso, a pressão compradora exercida pela empresa ajuda a segurar a cotação, ainda que a tendência, de alta ou de baixa, não seja alterada”, diz ele.

Essa parece não ser uma preocupação dos acionistas do Daycoval, que viram a negociação das ações saltar depois da conversão dos bônus em ações. “De janeiro para até hoje, o numero de ações negociadas diariamente saltou de 1 milhão para 2,5 milhões”, afirma o diretor de RI do banco. “A tesouraria de uma empresa tem autonomia para fazer seus investimentos. Se o gestor julga que a ação está barata e que esse investimento apresentará remuneração melhor do que outros ativos, porque não recomprar seus próprios papéis?”, questiona.

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