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Nesta semana, a Quality Software pediu seu registro de empresa de capital aberto e se une a uma dezena de pequenas e médias empresas que querem se lançar na bolsa

Brasil Econômico

A janela de oportunidade para as companhias brasileiras captarem recursos na bolsa de valores fechou. Mas nem por isso as pequenas e médias empresas cancelaram seus planos de irem a mercado. Só que o farão paulatinamente. Ou seja, inicialmente irão se listar no Bovespa Mais, segmento de acesso desse grupo à BM&FBovespa, para só então levantarem recursos via oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

Prova disso é que todas as empresas candidatas a abrir capital no Bovespa Mais ouvidas pelo Brasil Econômico disseram que irão percorrerão esse trajeto. E a maioria delas assinará o contrato de adesão ao Bovespa Mais ainda este ano.

Ibovespa Bovespa
Getty Images
Ibovespa Bovespa

A Quality Software foi a última empresa a seguir esse caminho: entrou com pedido de registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliário (CVM) na segunda-feira. "Quando o BNDESPar entrou na companhia, o faturamento mais que dobrou. Hoje, a empresa é geradora de caixa e consegue fazer aquisições. Mas queremos crescer mais do que isso, motivo pelo qual vamos acessar o Bovespa Mais", ressalta Britto Junior, diretor-presidente e diretor de relações com investidores (RI) da Quality.

A companhia espera levantar recursos via IPO ano que vem. "O que buscamos não é reestruturação de dívida e sim possibilitar um crescimento exponencial. Ano que vem é prazo interessante", pondera.

A Altus Sistema de Automação também quer assinar o contrato de adesão ao Bovespa Mais assim que CVM emitir o registro de companhia aberta. "E a nossa expectativa é que isso aconteça o mais breve possível, entre julho e agosto", afirma Fabiano Favaro, diretor financeiro e de RI da empresa. O executivo faz questão de ressaltar que não tem pressa de levantar recursos com a emissão de ações. "Com certeza não fazemos nosso IPO esse ano. Mas prefiro não dar projeções para não frustrar expectativas. Quero me mostrar aos poucos ao mercado de capitais", completa.

O volume captado ajudar a financiar a expansão da companhia, que pode ser via ampliação da velocidade de internacionalização, aquisição de companhias nacionais e internacionais ou mesmo a qualificação da estrutura de capital para que possa crescer de forma orgânica.

A Senior Solution aprendeu essa lição, de testar o mercado, na marra. A companhia iniciou a preparação para captar recursos via IPO no final de 2007 quando foi pega pela crise de 2008. O mesmo aconteceu em 2010, com a crise europeia. "Percebemos que o tempo de preparação da operação era menor do que a janela de oportunidades. Por isso optamos em dividir esse processo em dois momentos: o da listagem no Bovespa Mais, em maio do ano passado, e a da captação de recursos, em março deste ano", lembra Bernardo Gomes, presidente da empresa.

Até a BRQ IT Sevice, cujo porte supera o alvo do Bovespa Mais, seguirá esse caminho."É como um exercício de transparência para com o mercado de capitais e investidores. Cria uma dinâmica antes do IPO importante para qualquer empresa", destaca Benjamin Quadros, presidente da desenvolvedora de tecnologia para os setores financeiro, de telecomunicações e de recursos naturais. "Ainda não descartamos captar recursos no Bovespa Mais, porém nosso objetivo é o Novo Mercado. Principalmente porque conseguimos acessar investidores estrangeiro mais habituados ao nosso negócio", completa.

De acordo com o Quadros, a intenção é assinar o contrato de adesão ao Bovespa Mais ainda este ano, para então realizar o IPO em três anos. "Queremos atingiu um faturamento de R$ 800 milhões antes de acessarmos o mercado de capitais", diz o executivo, lembrando que o faturamento atual é de R$ 500 milhões.

Todas essas empresas acompanharam de perto os passos dados pela Nutriplant, que estreou o segmento em 2008. Ricardo Pansa, diretor-presidente e de RI da companhia diz que valeu a pena ser pioneira. “Na ocasião, tínhamos a oportunidade de recebermos aporte de um fundo de private equity e optamos pelo IPO uma vez que, sem prejudicar a transparência e governança corporativa, manteríamos a liberdade e independência na gestão dos negócios”, lembra.

Quem tem trabalhado arduamente a fim de impulsionar as pequenas e médias empresas é o PAC-PME, Programa de Aceleração do Crescimento para Pequenas e Médias Empresas. O grupo, formado por 116 instituições, propõem uma série de medidas, principalmente educacionais, que visam proporcionar às companhias o acesso a capital de crescimento, não só por meio de oferta de ações.

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