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Para o mercado financeiro, expectativa é de que o índice feche o ano em 5,86%. Já a economia deve crescer menos, com expansão do PIB em torno de 2,46%

Agência Estado

Segundo analistas, cotação do dólar no encerramento de 2013 será de R$ 2,13
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Segundo analistas, cotação do dólar no encerramento de 2013 será de R$ 2,13

Analistas do mercado financeiro acreditam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2013 será mais alto do que o projetado inicialmente, segundo relatório de mercado Focus divulgado nesta segunda-feira (24), pelo Banco Central. A expectativa mediana agora é a de que o índice feche o ano em 5,86%. Uma semana atrás, a mediana das previsões para esse indicador estava em 5,83% e, há quatro semanas, em 5,81%.

Para 2014, os economistas não mexeram em suas estimativas. A mediana das previsões segue em 5,80%, como na semana passada e também há um mês. Para o curto prazo, a mediana das previsões para o IPCA de junho passou de 0,34% do levantamento anterior para 0,32% agora. Quatro semanas atrás estava em 0,30%.

No caso de julho, a estimativa mediana apresentada na Focus divulgada nesta segunda-feira, está em 0,25% ante 0,30% da semana anterior e de quatro semanas antes. O relatório trouxe também que a projeção suavizada para o IPCA 12 meses à frente voltou a cair de 5,69% para 5,66%, exatamente o porcentual de um mês atrás.

Ainda sobre o IPCA, a Focus revelou que o grupo de instituições que mais acertam as projeções, o Top 5, para o médio prazo, reduziu sua expectativa mediana para o indicador em 2013 de 6,11% para 6,09%. Já para 2014, a previsão mediana do Top5 médio prazo permaneceu em 6,05%.

PIB

A economia brasileira crescerá menos do que o esperado inicialmente neste e no próximo ano, segundo a Focus. A avaliação de analistas é a de que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 será de 2,46%. Na semana passada, a previsão mediana era de uma taxa de 2,49% e, há um mês, de 2,93%.

Para 2014, a tendência apresentada pelas previsões medianas é a mesma. Os economistas acreditam que a expansão da economia no ano que vem será de 3,10% ante estimativa anterior de um crescimento de 3,20%. Há um mês a mediana para este indicador estava em 3,50%.

As estimativas para o PIB de 2013 caíram, apesar da projeção de que a produção industrial este ano será mais robusta. A mediana para esta variável passou de 2,50% da semana passada para 2,56% agora. Quatro semanas atrás, a previsão era de um crescimento do setor manufatureiro de 2,43%. Já para 2014, o setor contribuiu com a estimativa menor para o PIB. Isso porque a mediana das previsões para a expansão da produção industrial no ano que vem passou de 3,20% para 3,10%, nível que estava há um mês.

Câmbio

Com a escalada recente do dólar ante o real, analistas do mercado financeiro refizeram suas contas para o câmbio ao final deste e do próximo ano. A cotação do dólar no encerramento de 2013 será de R$ 2,13. Na semana passada, a expectativa de analistas ouvidos na pesquisa do BC estava em R$ 2,10 e, há um mês, em R$ 2,03. Para 2014, a mediana das estimativas para o dólar passou de R$ 2,15 da semana passada para R$ 2,20 agora.

Vale lembrar que quatro semanas atrás o mercado aguardava um câmbio bem menor para a moeda americana, de R$ 2,07. Com estas mudanças na ponta, a previsão mediana na Focus para o câmbio médio para 2013 subiu de R$ 2,07, visto na semana passada, para R$ 2,09 agora. Há um mês, estava em R$ 2,01. Já a mediana das estimativas para o câmbio médio em 2014 passou de R$ 2,13 da semana passada para R$ 2,15 agora, ou seja, R$ 0,10 acima da cotação vista há um mês, de R$ 2,05.

Déficit em conta

Assim como fez o Banco Central na semana passada, analistas do mercado financeiro revisaram para pior suas previsões para o déficit em conta corrente e a balança comercial. Como mostrou o relatório de mercado Focus, a mediana das estimativas para a balança comercial de 2013 caiu de US$ 6,55 bilhões da semana passada para US$ 6,50 bilhões agora - há um mês estava em US$ 8,30 bilhões.

O mesmo movimento de ajustes foi visto para o indicador no próximo ano: a mediana das previsões para a balança comercial passou de um superávit de US$ 9 bilhões da semana passada para US$ 8 bilhões agora, se distanciando ainda mais do total aguardado há um mês, de US$ 10,40 bilhões.

Com essa deterioração comercial, o rombo esperado na conta corrente deste ano aumentou de US$ 73,66 bilhões para US$ 73,76 bilhões. Vale lembrar que quatro semanas atrás a previsão mediana era de US$ 72,00 bilhões. Para 2014, também houve piora, com a mediana passando de um déficit corrente de US$ 78,50 bilhões para US$ 79 bilhões. Há um mês, a perspectiva era de um resultado negativo de US$ 78,00 bilhões.

O maior problema disso tudo é que não houve alteração nas previsões para o Investimento Estrangeiro Direto (IED), que ajuda a financiar o déficit. Conforme a Focus, o ingresso desses recursos deve somar US$ 60 bilhões não só este ano como também em 2014. A mediana está estacionada neste patamar há 28 semanas, no caso de 2013, e há 45 semanas, para 2014.

Também não houve alterações para a relação dívida/PIB em 2013 e 2014. Nos dois anos, a expectativa dos analistas é a de que essa relação encerre em 35%, como já era aguardado na semana passada e há quatro semanas, no caso da previsão para este ano. Há um mês, a expectativa para a dívida/PIB em 2014 estava em 34,90%.

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