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Velocidade do repasse tem sido maior quanto mais rápido é o ritmo do ajuste do câmbio e mais alto se torna o preço da moeda americana

Agência Estado

Economista diz que política monetária e cambial está confusa e dificulta previsão sobre a inflação
Getty Images
Economista diz que política monetária e cambial está confusa e dificulta previsão sobre a inflação

A velocidade do repasse da alta do dólar para os preços está cada vez mais alta, segundo analistas. Para eles, no passado, esse repasse costumava chegar ao consumidor com um atraso de um a até dois meses, já que a indústria e o varejo trabalham com estoques. Além disso, o impacto era relativamente baixo, porque o câmbio respondia essencialmente a oscilações de preço das commodities.

Recentemente, porém, essa percepção mudou. Embora não saibam precisamente qual é esse timing, os especialistas observam que a velocidade desse repasse tem sido maior quanto mais rápido é o ritmo do ajuste do câmbio e mais alto se torna o preço da moeda americana. Os motivos que sustentam a arrancada das cotações agora também são outros, afirmam. Eles citam sobretudo as perspectivas de mudanças na política monetária dos EUA e de desaceleração do crescimento da China, além das variações das commodities em menor escala.

Por enquanto, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, parecem minimizar o impacto do repasse do câmbio para os preços na economia. Contudo, na terça-feira (18), o próprio presidente do BC admitiu, em audiência em comissão do Senado, que está ocorrendo no mercado de moedas um período de transição que poderá ser muito longo.

O economista Rafael Costa Lima, coordenador do IPC da Fipe, afirma que a política monetária e cambial está confusa e dificulta uma previsão sobre o momento de repasse para a inflação. Mas ele tem certeza de que as intervenções recentes do BC no câmbio podem amplificar o efeito desse repasse para a inflação. "Isso depende do que o governo vai fazer, se continuará tentando segurar o dólar, se vai responder com alta mais forte do juro", comentou.

Segundo Lima, quando o dólar variou do patamar de R$ 1,60 para o de R$ 1,80, entre agosto de 2011 e março de 2012, o repasse foi mais lento e com menor peso sobre a inflação do que quando a moeda americana passou de R$ 1,80 para R$ 2,00, o que ocorreu entre março e maio de 2012. "A caminhada rápida do câmbio de R$ 2,10 para R$ 2,20 tende a ter impacto sobre a inflação, porque as commodities estão em alta e os preços de bens manufaturados no exterior também, como vários eletrônicos", afirmou.

Na segunda-feira (17), a Fundação Getulio Vargas anunciou que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 0,74% na segunda prévia de junho, bem acima da taxa de 0,01% registrada em igual leitura do mesmo indicador em maio. Ao ser perguntado sobre os efeitos da valorização do dólar sobre esse resultado, o superintendente adjunto de inflação do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), Salomão Quadros, explicou que algum impacto já pode estar ocorrendo, por exemplo, nos preços da soja.

O gerente da coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Reinaldo Pereira, alertou na semana passada que, "caso a valorização do dólar continue, o quadro inflacionário no País vai piorar e terá repercussão no comércio varejista". Ele constatou que a alta dos preços já está influenciando o desempenho das vendas em alguns setores. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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