Tamanho do texto

Enquanto o principal índice acionário da bolsa brasileira recua mais de 20% no ano, alguns papéis chegam a cair mais de 80%. A OGX é a que tem a maior perda em valor de mercado e vale R$ 11 bilhões a menos

Brasil Econômico

Quem se assusta com a queda de mais de 20% do Ibovespa não acompanha de perto alguns papéis do principal índice acionário da bolsa brasileira, que chegam a cair mais de 80% no ano. Ontem, a bolsa fechou com uma pequena alta, de 0,67%, depois de ter caído 4% pela manhã na ressaca do dia anterior em que foram registradas perdas com o anúncio de que o banco central americano irá reduzir a compra de títulos. Mas a valorização registrada foi insignificante para recuperar os quase R$ 249 bilhões que perderam em valor de mercado as empresas que compõem o principal índice de ações do Brasil.

Só a OGX, de Eike Batista, perdeu R$ 11 bilhões de quanto valia no início do ano e vale agora menos de R$ 3 bilhões
AE
Só a OGX, de Eike Batista, perdeu R$ 11 bilhões de quanto valia no início do ano e vale agora menos de R$ 3 bilhões

Os exemplos mais claros de perdas são duas empresas que estão sob a batuta do megaempresário Eike Batista: OGX e MMX. Só a OGX perdeu R$ 11 bilhões de quanto valia no início do ano e vale agora menos de R$ 3 bilhões. Os papéis da petrolífera acumulam queda de 81,96%, enquanto as ações da mineradora têm recuo de 73,26% em 2013. Mas não se limitam às empresa X. A companhia de energia Eletropaulo perde 62%, a de logística LLX, 58%, a telefônica Oi, 50%.

Para especialistas, as companhias do grupo X tendem a manter as atuais posições, uma vez que são afetadas pela falta de confiança dos investidores . Esse cenário só seria revertido se as empresas, muitas delas ainda pré-operacionais, entregassem resultados satisfatórios, algo prometido desde as respectivas aberturas de capital.

No ranking das maiores desvalorizações deste ano, depois de OGX e MMX, está a Eletropaulo, afetada pela Medida Provisória (MP) 579 — que trata da renovação das concessões de energia elétrica e da redução das tarifas de energia elétrica —, a B2W, preterida pelos investidores em função dos problemas de logística enfrentados no final do ano passado e início deste ano, e Lupatech, afetada pela política de preservação de caixa, e consequentemente redução de investimentos, da Petrobras, sua principal cliente.

Contudo, a forte valorização do dólar frente às demais moedas mundiais joga luz em alguns papéis que ainda não figuram na lista das ações que mais caíram em 2013. É o caso da Gol, bastante afetada pela alta da divisa americana. “As companhias que têm custos atrelados à moeda americana tendem a ser prejudicadas, tal como a Gol. Além do financiamento das aeronaves ser feito via leasing, aproximadamente um terço dos custos da empresa vem do combustível (QAV)”, explica Felipe Martins Silveira, analista da Coinvalores.

Além da Gol, a Sabesp que tem um endividamento alto em dólar — do total, aproximadamente 27% da dívida foi contraída na divisa americana e 10% em iene —, redes varejistas que importam produtos também sentem os efeitos negativos da apreciação da moeda dos EUA. “Empresas que têm insumos de algodão importado — como Hering, Hypermarcas e Renner, bem como a Technos — sofrem. Contudo, as três primeiras conseguem repassar aumento de custos mais facilmente uma vez que ticket médio dos produtos é baixo”, explica Marcelo Torto, analista da Ativa Corretora.

Por outro lado, companhias exportadoras podem trazer alento aos investidores que ainda querem se arriscar na bolsa de valores, tais como Embraer, empresas de papel e celulose, empresas do setor alimentício e siderúrgicas. “No topo das beneficiadas está a Embraer, que tem quase 90% receita em dólar e quase nenhum custo atrelado à divisa americana. Ou seja, ela ganha no faturamento e não perde em dívida, diferente das empresas de papel e celulose que têm esse contraponto”, diz Torto.

Outra empresa beneficiada pelo atual cenário é a Multiplus, já que 60% da receita é em dólar. A lista é acrescida de empresas que fornecem ao mercado doméstico, mas que enfrentam concorrência de empresas estrangeiras, tais como Duratex, Bematech e siderúrgicas. "O produto das concorrentes encarece, beneficiando essas companhias. Muitas, inclusive, conseguem repassar aumento de custos aos clientes", lembra Luiz Gustavo Pereira, estrategista da Futura Investimentos.

Já o analista da Coinvalores sugere empresas ligadas ao setor de infraestrutura, principalmente porque o governo tem dado sinais claros que aposta nesses investimentos para manter as taxas de crescimento econômico entre 3% e 4% no longo prazo. “Nossa principal recomendação no segmento é Mills. A companhia está exposta a todos os projetos de infraestrutura — portos, aeroportos, rodovias, estádios — por prestar serviços de mobilidade, como gruas e andaimes.”

Pereira, da Futura Investimentos lembra que os investidores precisam avaliar caso a caso, uma vez que essas ações podem apresentar desempenhos expressivos esse ano. “Os aplicadores estão à caça de barganhas. Por isso, podemos ver uma correção técnica do Ibovespa no curto prazo”, completa.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.