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Relatório condenou a falta de responsabilização dos banqueiros e afirmou que alguns pagamentos de bônus para altos executivos deveriam ser suspensos por até dez anos

BBC

Comissão criticou setor bancário britânico
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Comissão criticou setor bancário britânico

Um relatório de uma comissão de parlamentares britânicos, divulgado nesta quarta-feira (19), afirma que banqueiros considerados culpados de má conduta ou irresponsabilidade deveriam ser presos.

A Comissão Parlamentar britânica que investiga condutas no setor bancário do país foi estabelecida pelo ministro das Finanças britânico, George Osborne, em 2012, depois de vários escândalos —sobretudo o de manipulação da Libor, a taxa de juros cobrada pelos bancos londrinos.

O quinto relatório da comissão condenou a falta de responsabilidade dos banqueiros e também afirmou que alguns pagamentos de bônus para os altos executivos do setor deveriam ser suspensos por até dez anos.

"Muitos banqueiros, especialmente nos cargos mais importantes, operaram em um ambiente de insuficiente responsabilidade pessoal", afirmou o documento de 571 páginas.

"Executivos sabiam que eles não seriam punidos pelo que não estavam vendo e, imediatamente, fizeram vista grossa." Quando eles não podiam alegar ignorância, alegaram que todos foram a favor de uma decisão e que, então, nenhum indivíduo poderia ser culpado", continuou o relatório.

O documento de 571 páginas também pediu que o governo britânico analisasse as alternativas para a venda do Royal Bank of Scotland (RBS), incluindo o desmantelamento do banco, e exigiu medidas para tornar o setor mais competitivo.

Durante a crise financeira de 2008, o RBS foi um dos bancos britânicos que mais precisaram de ajuda do governo para não quebrar. Na ocasião, o governo assumiu 81% do controle do RBS.

Falando à BBC, George Mathewson, ex-presidente e diretor-executivo do RBS, criticou algumas recomendações do relatório da Comissão Parlamentar, especialmente a suspensão dos bônus para executivos.

"Acho um pouco estranho. Os bônus incentivam comportamentos. Dez anos sem (bônus) não é uma forma fácil de imaginar que haja incentivos (aos funcionários)", afirmou.

Competitividade e igualdade

O relatório também opinou que os bancos devem ser obrigados legalmente a priorizar a segurança financeira em vez de os interesses de seus acionistas.

Além disso, criticou a falha dos reguladores em identificar os riscos financeiros que contribuíram para a crise de 2008, pedindo "a substituição do sistema mecânico de compilação de dados por uma ênfase maior no exercício do bom senso". O relatório recomendou ainda que cada diretoria de cada banco crie mecanismos para proteger informantes que denunciem má conduta aos órgãos reguladores.

O documento da Comissão Parlamentar também pede que os órgãos reguladores do setor bancário tenham autonomia para enfrentar os problemas que encontrem.

Por fim, a comissão pediu o estabelecimento de um código de conduta pra o setor e criticou a falta de igualdade de gêneros, que geraria uma cultura machista nos bancos.

A Autoridade Britânica de Serviços Financeiros, que era o órgão regulador do setor bancário britânico durante a crise financeira, foi separada em duas unidades —a Autoridade de Conduta Financeira, que policia o comportamento de banqueiros, e a Autoridade de Regulamentação Prudencial do Banco da Inglaterra, que garante que os bancos do país não assumam riscos excessivos.

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