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Marcação a mercado dos títulos públicos preocupa fundações; movimento também as levou a adquirir novos papéis no mercado

Brasil Econômico

Selic – taxa básica de juros da economia – foi reajustada para 8% ao ano na última semana de maio
Getty Images
Selic – taxa básica de juros da economia – foi reajustada para 8% ao ano na última semana de maio

Como se não bastasse inflação em alta e performance negativa da bolsa de valores, os fundos de pensão tem mais um motivo para se preocupar: a elevação da taxa básica de juros. Isso porque, grande parte dos títulos públicos que têm no portfólio de investimentos é marcado a mercado, ou seja, o gestor precisa atualizar seus valores ao preço do dia.

A Fundação Cesp, quarto maior fundo de pensão brasileiro, registrou perdas consideráveis com a movimentação. Embora Jorge Simino, diretor de investimentos da entidade, não tenha divulgado o volume, ele mensurou o impacto: de janeiro a maio, a rentabilidade da carteira de investimentos da fundação foi próxima a zero, contra uma meta atuarial de 3,7% no mesmo período de comparação. “Claro que a performance negativa de outra classes de ativos corroboraram, mas a registramos perdas consideráveis ao marcarmos a mercados os títulos públicos”, afirma o executivo.

Com a elevação da taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual esse ano, os títulos públicos indexados à inflação (NTN-Bs) passaram a render mais se comparado ao ano passado e, consequentemente, as fundações trouxeram a valor presente os ativos que rendiam menos em 2012. “É um movimento assimétrico: quando os juros caem, o impacto na carteira é positivo e quando os juros sobem, o impacto é negativo”, completa Simino.

Já a Previ, maior fundo de pensão brasileiro, com mais de R$ 165 bilhões em patrimônio líquido, marca na curva seus títulos públicos, ou seja, segue a curva da remuneração do papel e não às flutuações de mercado. “Somos um ponto fora da curva no que diz respeito à renda fixa, já que 70% dos títulos públicos são marcados na curva. Se no ano passado não obtivemos o mesmo ganho que outras fundações, esse ano não realizaremos prejuízo como elas”, diz Renê Sanda, diretor de investimentos da entidade.

A despeito dessa movimentação, os fundos de pensão foram à caça de novos títulos com remuneração mais alta. A Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, foi uma delas: até maio, adquiriu R$ 500 milhões em títulos do tesouro. “Como a procura está alta, adquirimos uma parcela no mercado primário e outra no mercado secundário”, pontua Maurício Marcellini Pereira, diretor de investimentos do fundo.

A Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, também está avaliando uma possível janela de oportunidades. "Acreditamos que o movimento de ajuste na taxa das NTN-Bs deve se estabilizar. O mercado já começa a ver de forma mais positiva para o patamar de taxas que hoje estão sendo praticadas. Porém, acreditamos que o movimento atual (taxas maiores das NTN-Bs e restrição de liquidez) pode trazer melhores oportunidades de investimentos em outros segmentos, tais como crédito e renda variável", destaca Carlos Fernando Costa, diretor de Investimentos da Petros.

Quanto às oportunidades em crédito, o executivo lembra que a fundação realizou poucos investimentos no segmento nos últimos meses. “Estávamos verificando um mercado extremamente líquido por conta da migração de investidores saindo de títulos públicos para este segmento. O retorno estava baixo, pois é relacionado com as taxas dos títulos públicos e os seus spreads estavam também baixos em decorrência da migração de segmento. Acreditamos que devemos ter oportunidades com spreads um pouco mais elevados e compatíveis com o nível de risco”, completa.

Já na renda variável, em decorrência das movimentações de capitais, a segunda maior entidade do país vê com bons olhos algumas oportunidades com um foco no longo prazo. “Entretanto, acreditamos que no curto prazo a bolsa deve se manter com uma elevada volatilidade”, pondera Costa.

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