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Ações do setor caíram forte na bolsa, no ano, mas podem ser opção para quem busca ativo defensivo e barato

Brasil Econômico

Nem mesmo as perspectivas de arrefecimento do consumo das famílias brasileiras e aumento da taxa básica de juros (Selic) devem desestabilizar o setor de shopping centers. Essa pelo menos é a expectativa dos analistas que em sua maioria recomendam aos investidores a compra de papéis do segmento, apesar da desvalorização destes papéis na bolsa chegar a 22%.

Para alguns, o setor é resiliente a momentos de incertezas econômicas, já que grande parte da receita é proveniente da locação de lojas e quiosques — outra parte vem de taxas de transferência, cessão de direitos e estacionamento. “Os contratos assinados entre administradora e varejistas são de longo prazo, o que as impedem de deixar o shopping sob pena de multa. Sendo assim, as receitas são bastante estáveis”, diz Sandra Peres, analista da Coinvalores.

Ações da administradora de shopping centers, BR Malls, estão entre as indicadas para compra
Divulgação
Ações da administradora de shopping centers, BR Malls, estão entre as indicadas para compra

Além disso, há espaço para a construção de novos shopping centers, especialmente fora dos grandes centros urbanos. Dentre as ações que a Ativa Corretora acompanha — BR Malls, Aliansce, Multiplan e Iguatemi — a preferência é pela Aliansce. “Os indicadores operacionais têm se mantido acima da média do mercado. Isso possibilita reajustes maiores de aluguel se comparada aos seus pares. A administradora também fez grandes investimentos no ano passado, o que elevou sua alavancagem. À medida que inaugurar seus projetos reduzirá seus índices”, diz Marcos Almeida, analista da corretora.

A Um Investimentos também prefere a Aliansce. “Claro que novos projetos afetam a perspectiva de crescimento das receitas. Mas isso já está embutido no preço da companhia”, pondera o analista Gabriel Ribeiro.

A Citi Corretora divulgou relatório afirmando que adotou um viés mais positivo em relação às ações do setor de shoppings, especialmente BR Malls, a qual elevou sua recomendação de neutra para compra. “Preferimos BR Malls devido ao valuation atrativo, menor exposição ao risco de desenvolvimento, com projetos novos representando 20% do Ebitda estimado para 2015, e menor custo de ocupação, o que implica mais upside nos aluguéis e um colchão contra o downside”, afirmam os analistas Fernando Siqueira e Hugo Rosa.

Para ele, os shopping centers são excepcionalmente produtivos, com vendas de quase US$ 10 mil por metro quadrado por ano, ante produtividade equivalente a metade disso de pares globais com. “Esse fato impulsiona os aluguéis médios e os retornos. A produtividade deteriorará com o aumento da penetração dos shoppings, mas isso acontecerá de forma gradual. No meio tempo, se o cenário macroeconômico ficar pior do que esperamos, os shoppings oferecem um bom lugar para se abrigar”, dizem.

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