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Divisa brasileira perdeu mais de 6% do valor desde maio; África do Sul teve maior queda

Agência Estado

Dentre as 30 moedas mais importantes do planeta, o real é a quinta que mais se desvalorizou ante o dólar americano desde 1º de maio. A constatação é de uma pesquisa do HSBC.

-Veja também: Banco Central atua, mas dólar tem maior nível desde abril de 2009

No período, a divisa brasileira perdeu mais de 6% do valor, segundo o levantamento divulgado nesta terça-feira, 11, na capital britânica. A África do Sul é o país que amargou a maior queda e o rand acumula recuo de 12% ante a moeda dos Estados Unidos.

O HSBC acompanhou a variação de 30 moedas nas últimas semanas. No grupo, países exportadores de commodities e emergentes foram os principais prejudicados pelo movimento do mercado global de câmbio.

Das 30 moedas acompanhadas, seis registraram valorização na comparação com o dólar desde 1º de maio
Agência Brasil
Das 30 moedas acompanhadas, seis registraram valorização na comparação com o dólar desde 1º de maio

Além da desvalorização da divisa sul-africana na casa de dois dígitos nos últimos dias, o levantamento mostra que o dólar australiano, a rupia indiana, o dólar neozelandês e o real compõem a lista das cinco moedas com maior perda de valor desde 1º de maio.

O banco britânico atribuiu o movimento especialmente aos Estados Unidos. "A linha que une o trauma dos mercados emergentes tem origem nos EUA. É uma combinação de fatores que inclui a preocupação com a redução do relaxamento quantitativo, o que pode significar menor fluxo para os emergentes, e a possibilidade de aumento dos rendimentos nos EUA", dizem os economistas do banco com sede em Londres.

Há, ainda, preocupação com o Japão. "Também pode haver algum mal-estar com o programa de estímulos do Japão que pode não ter mais o aumento esperado", dizem especialistas em relatório.

Os economistas da casa reconhecem que alguns fatores locais potencializam o movimento em alguns países. O HSBC menciona o quadro político na Turquia e na África do Sul e a deterioração das contas externas em outros mercados, sem citar nomes. Apesar disso, a instituição afirma que o principal motivo da desvalorização está nos efeitos da retomada da economia americana.

"Diante de um dólar mais forte, mercados emergentes poderiam ter uma ajuda de competitividade para exportar, mas a possibilidade de ganho crescente em dólar gera preocupação sobre uma desaceleração na entrada de capitais nesses mercados", diz o documento, que avalia que esse ganho de competitividade dos emergentes no comércio exterior acabaria sendo anulado pela preocupação com a menor oferta de financiamento externo.

Das 30 moedas acompanhadas, apenas seis registraram valorização na comparação com o dólar desde 1º de maio: libra esterlina, coroa norueguesa, florim húngaro, yuan chinês, euro e, na liderança, a coroa checa, com valorização de cerca de 1% nas últimas semanas.

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