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Contrato de DI com vencimento em outubro de 2013 estava na máxima de 8,27%

Agência Estado

As taxas futuras de juros voltaram nesta segunda-feira (10) a reagir em alta ao avanço do dólar em relação ao real. Além disso, a aceleração da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) atuou para reforçar o movimento dos juros.

Entre as taxas longas, a alta foi ainda mais intensa, um comportamento que deriva da desconfiança dos investidores estrangeiros em relação aos fundamentos do Brasil e consequente saída destes agentes dos juros longos.

-Veja também: após ata do Copom, juros sobem e sinalizam Selic em 9,25% ao ano

Ao mesmo tempo, a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) elevou a perspectiva de rating (nota) dos Estados Unidos, o que favorece a migração de recursos. No fim do pregão, diante de uma liquidez reduzida, movimentos técnicos puseram as taxas nas máximas.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, o contrato de DI com vencimento em outubro de 2013 (29.375 contratos) estava na máxima de 8,27%, de 8,22% no ajuste anterior.

O DI para janeiro de 2014 (166.835 contratos) apontava 8,64%, também na máxima, ante 8,58% na sexta-feira (7). No trecho intermediário e longo da curva de juros, o juro com vencimento em janeiro de 2015 (320.545 contratos) indicava máxima de 9,41%, ante 9,23% no ajuste.

O DI para janeiro de 2014 apontava 8,64%, também na máxima, ante 8,58% na sexta-feira (7)
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O DI para janeiro de 2014 apontava 8,64%, também na máxima, ante 8,58% na sexta-feira (7)

O contrato com vencimento em janeiro de 2017 (216.315 contratos) marcava máxima de 10,30%, de 10,00% na sexta-feira (7). O DI para janeiro de 2021 (25.305 contratos) estava em 10,80%, ante 10,46% no ajuste anterior.

"Esse comportamento do mercado está atrelado, principalmente, ao avanço do dólar e consequente preocupação do mercado em relação a seus efeitos sobre a inflação. Sem a política fiscal para ajudar, a leitura é de que o controle de preços ficará nos ombros da política monetária", afirmou o estrategista-chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno.

"O avanço mais intenso das taxas longas refletiu a possível saída de estrangeiros desse trecho da curva, uma vez que as perspectivas para o curto prazo seguem sendo de deterioração das variáveis macroeconômicas", pontuou.

Nesta segunda-feira (10), o dólar subiu desde cedo e tocou na máxima de R$ 2,16, o que fez com que o Banco Central (BC) atuasse duas vezes por meio de leilões de swap cambial (equivalente à venda de dólar no mercado futuro).

Como reflexo, a moeda dos EUA desacelerou a valorização, mas se manteve em alta. No fim, o dólar à vista no balcão subiu 0,56%, a R$ 2,1480 —maior valor desde abril de 2009.

Pala manhã, as notícias sobre inflação já não haviam sido positivas. O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acelerou a alta para 0,48% na primeira quadrissemana de junho, de 0,32% na leitura anterior, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Destaque para o movimento do grupo Alimentação, que passou de 0,36% para 0,65%. O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) acelerou a alta para 0,43% na primeira prévia deste mês, de 0,03%, em igual prévia de maio.

Os temores em relação ao impacto do dólar sobre os preços também ficaram estampados na pesquisa Focus. Os analistas consultados elevaram as projeções para a Selic em 2013 e 2014, de 8,50% para 8,75% ao ano.

Ao mesmo tempo, indicaram que o dólar deve fechar 2013 em R$ 2,10, de R$ 2,05 antes. Como resultado, a inflação mostrou resistência no boletim Focus.

Os analistas do mercado financeiro mantiveram as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2013 e 2014, em 5,8%.

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