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Captação recorde de R$ 14,9 bilhões ficou concentrada na BB Seguridade e atrelada ao apetite de investidores estrangeiros, que iniciam um movimento de fuga da Bolsa

As seis empresas que abriram capital na Bolsa desde janeiro de 2013 já representam o dobro dos IPOs (oferta inicial de ações) de 2012. Apesar do avanço, a captação recorde de R$ 14,9 bilhões ficou concentrada em uma grande companhia – a BB Seguridade (R$ 11,4 bilhões) –, e atrelada ao apetite de investidores estrangeiros: a participação deles representou 57,6% das ofertas encerradas no início de junho, segundo a BM&FBovespa. Neste cenário, analistas avaliam como incerto o sucesso de novas ofertas até o fim do ano.

A BM&FBovespa negocia com o governo a isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas que investirem em empresas com faturamento de até R$ 500 milhões por ano
Svilen Milev - SXC
A BM&FBovespa negocia com o governo a isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas que investirem em empresas com faturamento de até R$ 500 milhões por ano

Das aberturas de capital em 2013, apenas a Senior Solution (SNSL3M), do ramo de tecnologia, estreou no segmento voltado a companhias de menor porte, o  Bovespa Mais . Somente quatro empresas estão listadas nele, do total de 452 que compõem a Bolsa até março.

“O movimento de entrada de pequenas e médias empresas no mercado de ações, observado em 2007, não deve se repetir. A Bolsa ainda depende das grandes companhias”, acredita o professor de finanças do Insper, Ricardo José de Almeida.

Para mudar esse quadro, a BM&FBovespa iniciou uma negociação com o governo para garantir a isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas que investirem seu capital em empresas menores – com faturamento de até R$ 500 milhões por ano – e assim, atrair mais aberturas de capital.

Atualmente, o lucro na venda de qualquer ação é tributado em 15% pela Receita Federal. Não há um valor mínimo para começar a investir na Bolsa. Fundos de índices como os ETFs (Exchange Traded Funds), por exemplo, aceitam um aporte inicial de menos de R$ 200.

Perspectivas

O próximo grande IPO no mercado deve ser o da Votorantim Cimentos , que espera movimentar até R$ 10,3 bilhões em sua oferta inicial, com precificação das ações prevista para o 19 de junho. Se as previsões se confirmarem, este será o segundo maior IPO do ano, atrás da oferta da BB Seguridade, a maior captação desde 2009.

“O investidor escolhe empresas grandes e consolidadas por terem mais liquidez na venda dos papéis, sendo mais fáceis de negociar. Isso faz com que o índice Ibovespa fique muito atrelado à oscilação dessas companhias”, analisa Luiz Marcatti, sócio da consultoria Mesa Corporate.

Os números mostram que o desempenho do principal índice da Bolsa caminha em direção oposta aos papéis das empresas estreantes: o Ibovespa teve perda acumulada de 12,22% de janeiro a maio, enquanto as ações destas companhias conseguiram valorização mínima de 2,84% (veja o gráfico abaixo) .

VALOR DAS AÇÕES

Valorização no preço das ações das seis empresas que abriram capital na Bolsa até maio de 2013:

Gerando gráfico...
BM&FBovespa

Capital estrangeiro

Toda vez que há uma fuga de investidores estrangeiros da Bolsa, aumenta a apreensão no mercado de ações brasileiro. Foi o que ocorreu no fim de maio, quando o balanço de negociações do capital externo na BM&FBOVESPA ficou negativo em R$ 1,2 bilhão, apontando mais saídas do que entradas de investimentos.

O cenário positivo de recuperação da economia americana é um dos motivos que afugentam ainda mais os investidores de fora, na opinião de Marcatti. “Esta dependência do capital estrangeiro inibe muito o crescimento do mercado de capitais no País”.

Votorantim Cimentos: IPO esperado para este mês
Divulgação/Votorantim
Votorantim Cimentos: IPO esperado para este mês

Por conta da recente fuga de investidores, aliada a outros fatores macroeconômicos, o analista avalia que os novos IPOs no Brasil até o fim de 2013 não vão repetir o desempenho de anos anteriores.

Almeida, do Insper, acredita que o espaço para novas empresas abrirem capital daqui para frente é limitado, em virtude do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) abaixo do esperado no primeiro trimestre do ano, de 0,6%.

Essa incerteza contaminou as empresas no ano passado. Várias das que planejavam abrir capital desistiram do projeto no meio do caminho. A Biosev, que fez seu IPO no fim de março, havia suspendido a oferta em setembro do ano passado, alegando temer as incertezas do mercado.

A CVC, que atua no segmento de turismo, também interrompeu seu processo de IPO em 2012, informando preferir esperar um movimento mais propício. Até agora, não deu sinais de que irá retomar o projeto.

Além da Votorantim Cimentos, o resto do ano pode ter aberturas de capital de pelo menos outras sete empresas: Via Varejo, Azul, MRV, CPFL Renováveis, Anima Educação, Seara Foods e Grupo Multi.

Volume captado nos seis IPOs até maio de 2013

EMPRESA                                          

  CAPTAÇÃO DE RECURSOS  

Linx

                         R$ 527,8 milhões

Senior Solutions

                         R$ 62,1 milhões

Biosev

                         R$ 700 milhões

BB Seguridade

                         R$ 11,4 bilhões

Smiles

                         R$ 1,1 bilhão

Alupar

                         R$ 740 milhões


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