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Número de aplicadores ultrapassou 637 mil, impulsionados pela oferta da BB Seguridade

Brasil Econômico

Atraídos pela oferta bilionária de ações da BB Seguridade, os investidores individuais não se deixaram levar pelo mau desempenho da bolsa brasileira, foram às compras e em massa bateram recorde na BM&FBovespa. Em maio, o número de pessoas físicas investindo em ações chegou a 637.198. É mais gente do que se viu na ocasião da oferta subsequente da Petrobras, em setembro de 2010, quando 630.895 pequenos aplicadores mantinham uma conta na bolsa brasileira.

Mais de 103 mil pessoas físicas participaram da abertura de capital da BB Seguridade
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Mais de 103 mil pessoas físicas participaram da abertura de capital da BB Seguridade

Os dados surpreenderam. O responsável pela gestão de recursos da Coinvalores, Denis Botini, diz que é um sinal de que o investidor pessoa física entendeu que há momentos de entrada no mercado acionário e momentos em que se deve reduzir sua posição em ações. “Aos 55 mil pontos, patamar em que estava o Ibovespa na estreia de ações da BB Seguridade, é um ponto interessante para aplicar”, afirma Botini.

Para ele, a oferta de ações do braço de seguridade do Banco do Brasil (BB) foi, sem dúvida, o principal responsável pelo recorde registrado no mês passado — mais de 103 mil pessoas físicas participaram da operação. Mas outros fatores também atraíram esse público. A começar pelos resultados trimestrais da Petrobras, a divulgação do plano de negócios e a escolha de dois investidores individuais para compor o conselho de administração. “Foram indicações de que a estatal petrolífera quer priorizar a criação de valor aos acionistas. Além disso, os resultados trimestrais da Vale, a despeito das incertezas quanto ao crescimento econômico chinês, e o aumento da taxa básica de juros (Selic), que beneficia o setor bancário, também atraíram pequenos investidores à BM&FBovespa”, diz o especialista.

A pergunta que fica é: será que o número de pequenos investidores cadastrados na bolsa em maio irá se sustentar nos próximos meses? Botini acredita que sim. “Os investidores que voltaram ao mercado acionário estão mais bem assessorados, pensam em um horizonte de resgate maior do que pensavam as pessoas que aplicaram recursos em ações quando o Ibovespa estava em 70 mil pontos e sabem avaliar os resultados operacionais das companhias."

Já Ricardo Almeida, professor de finanças do Insper, acha que não. “Com a taxa de juros em alta, o investidor vai perceber que os ganhos em títulos públicos, fundos de renda fixa e até na poupança voltarão a ser atrativos. O que faria o investidor ficar na bolsa brasileira é o histórico de rentabilidade e não há sinais de que a tendência voltará a ser positiva no curto prazo”, pondera.

Ontem, o Ibovespa encerrou o dia em leve alta de 0,16%, aos 52.884 pontos. O principal índice acionário da bolsa brasileira operou boa parte do pregão em queda e só inverteu a tendência depois que as bolsas americanas passaram a subir. “Mas as atenções estão voltadas ao relatório de emprego nos EUA. Os dados não podem ser bons, para que o Fed não retire os estímulos fiscais, nem ruins”, diz um operador.

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