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Saída acelerou na última semana. Isenção de IOF para estancar revoada será testada hoje

Brasil Econômico

No ano, o fluxo positivo é de US$ 12,171 bilhões, menor do que os US$ 22,625 bilhões em igual período do ano passado
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No ano, o fluxo positivo é de US$ 12,171 bilhões, menor do que os US$ 22,625 bilhões em igual período do ano passado

Embora o fluxo cambial continue positivo no ano - apenas em maio, entraram US$ 10,755 bilhões a mais do que saíu do país - o ritmo de evasão pelo segmento financeiro continuou acelerando, segundo divulgou ontem o Banco Central (BC). O saldo, mais uma vez, foi resultado do fluxo comercial (operações relacionadas a exportações e importações), que ficou positivo em US$ 14,098 bilhões. No segmento financeiro (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos), o saldo ficou negativo em US$ 3,343 bilhões, depois de ficar negativo em US$ 3,157 bilhões em abril. O montante - o maior desde a saída de US$ 6, 327 bilhões em maio do ano passado - pode ter contribuído para a decisão de zerar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos de estrangeiros em renda fixa no Brasil, anunciada anteontem pelo ministro Guido Mantega.

A medida pode ser considerada preventiva. No ano, o fluxo positivo é de US$ 12,171 bilhões, menor do que os US$ 22,625 bilhões em igual período do ano passado. Na última semana do mês, com quatro dias úteis, houve mais saída de dólares do que entradas, com saldo negativo de US$ 76,49 milhões. Se as saídas continuassem se acelerando, o saldo atual poderia ser facilmente consumido em quatro meses. As condições externas estão mudando e essa saída de investidores tende a se acentuar mesmo, se o governo americano reduzir seu programa de estímulos e os juros dos treasuries começarem a subir.

A reação inicial não foi, porém, das melhores. Ontem, a medida produziu efeito contrário do que o pretendido, uma vez que o dólar chegou a subir 0,75% e só fechou praticamente estável após nova ação do BC (leia mais sobre o câmbio na página 20, ao lado).

“Se de um lado o IOF zero torna os investimentos mais baratos, também torna mais barato sair, pois na hora que o investidor quiser voltar, não pagará IOF”, lembra diz Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil. Hoje, a eficácia da isenção passa por um importante teste: um leilão de Notas do Tesouro Nacional - série F (NTN-F). “Esses são os títulos preferidos pelos estrangeiros”, diz o economista.

Os analistas do Goldman Sachs acreditam que a isenção será capaz de contribuir para um moderado fortalecimento do real no curtíssimo prazo. “Mas a moeda continuará sofrendo impactos negativos de questões macroeconômicas (baixo crescimento, inflação em alta e deterioração fiscal)”, diz Alberto Ramos. “Os movimentos recentes rumo a uma politica menos intervencionista do governo, com um BC mais focado em combate a inflação, menos ativismo no câmbio e a remoção de instrumentos de controile de capital, como o IOF, são bem-vindos”.

A NTN-F é um título prefixado, com rentabilidade definida no momento da compra, com rendimento recebido pelo investidor ao longo do investimento, por meio de cupons semestrais de juros, e na data de vencimento do título, quando do resgate do valor de face (valor investido somado à rentabilidade) e pagamento do último cupom de juros. O fluxo de cupons semestrais de juros aumenta a liquidez do papel.

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