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Desconto da taxa de negociação pode variar de 28,5% a 71,4%, conforme o volume médio movimentado na bolsa no mês anterior

Desconto das tarifas de negociação será de 28,5% no mercado à vista
Divulgação
Desconto das tarifas de negociação será de 28,5% no mercado à vista

A BM&FBovespa anunciou nesta terça-feira (5) que vai reduzir em 28,5% as tarifas de negociação do mercado à vista de ações. A mudança começa a valer a partir de abril. O desconto beneficia pessoas físicas, instituições financeiras e estrangeiros, segundo o presidente da bolsa, Edemir Pinto.

Com uma média de R$ 7 bilhões negociados diariamente, a bolsa pretende reduzir as tarifas para dividir ganhos de escala com o mercado e aumentar o volume de operações, por meio de um desconto progressivo, destinado ao grande investidor.

"Quanto maior o volume diário médio (ADTV) movimentado por todo mercado à vista de renda variável, menor a tarifa cobrada", explica o executivo da BM&FBovespa. No caso do desconto progressivo, movimentações diárias acima de R$ 9 bilhões terão redução de 42,8% aos investidores. O corte do custo de negociação pode chegar a 71,4% se as operações ultrapassarem R$ 13 bilhões.

Para calcular este volume, a bolsa definirá uma média das operações diárias do mês-calendário, como explica Edemir.  “O valor será usado como base de desconto para as operações do mês seguinte”.

As reduções de tarifa ocorrerão em duas etapas. A primeira vale a partir de abril. Na segunda fase, que começa em dezembro, passa a valer a correção progressiva, por faixas de volume de movimentação.

PEQUENO INVESTIDOR

No caso do investidor pessoa física – que representou 16,86% dos investimentos em ações em janeiro de 2013, segundo a BM&FBovespa – será concecido o desconto imediato de 28,5% da tarifa de negociação (de 0,007% para 0,005%) a partir do primeiro pregão de abril deste ano.

Com movimentação financeira na bolsa de R$ 51,939 bilhões em janeiro, – de um total de R$ 308,046 bilhões – o pequeno investidor pagará a mesma taxa de custódia, cujo valor fica a cargo da corretora escolhida para operar seus investimentos.

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A pessoa física que investe com day trade (operações na bolsa de curtíssimo prazo) deve ser a mais beneficiada, na opinião de Marcelo Maziero, diretor executivo de produtos e clientes da bolsa. “O day trader compra e vende ações muito rapidamente e opera com ganhos menores, tornando o custo operacional muito relevante para os lucros imediatos”, explica.

Para o presidente da bolsa, a meta de atrair cerca de cinco milhões de pessoas físicas para o mercado de ações ainda está em pé. "O brasileiro continua muito apegado à conta poupança, mesmo em tempos de juros baixos e pouco rendimento. Mas esta cultura deve mudar", diz.

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A redução progressiva da tarifa entrará em vigor a partir de 2 de dezembro deste ano para todos os investidores, inclusive day traders e investidores de alta frequência, conhecidos como High Frequency Traders (HFTs).

Leilões de abertura e fechamento e OPAs (Operação Pública de Aquisição, para fechamento de capital), terão o desconto a partir de 1º de abril até o início de dezembro. Após esta data, voltam para a tarifação anterior, de 0,007%. Segundo o executivo da bolsa, tais operações demandam um custo maior e sua redução poderia resultar em prejuízo para a empresa.

A BM&FBovespa também anunciou que, até o fim do ano, deve revisar as tarifas de contratos futuros de juros, câmbio, agronegócio e derivativos de renda variável.