Tamanho do texto

Ações de empresas voltadas ao mercado interno se destacaram entre as maiores altas do principal indicador da Bovespa; confira o ranking com as maiores altas e baixas deste ano

Empresas com foco no mercado doméstico têm muito a celebrar em 2012, ano em que a crise econômica continuou afetando os resultados das companhias voltadas ao mercado externo. Já as elétricas e as empresas do bilionário Eike Batista devem torcer para que, em 2013, suas ações se recuperem do baque sofrido este ano, assim como algumas construtoras, cujos papéis terminaram entre as maiores perdas do Ibovespa, o principal indicador da Bovespa. Confira o ranking abaixo:

De uma maneira geral, as maiores altas do Ibovespa foram registradas por empresas que se beneficiaram da expansão do consumo e da Classe C em 2012. "Com o cenário internacional conturbado, as ações voltadas ao mercado interno ganharam destaque no ano", explica Henrique Florentino, membro da equipe de análise da Um Investimentos. Foi o caso da Hypermarcas, que conseguiu recuperar as perdas de 2011, quando suas ações terminaram com queda de 62%.

"A empresa passou por momentos difíceis por ter entrado em setores nos quais não tinha expertise", diz Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora Souza Barros. "Mas quando se desfez desses ativos e retomou direcionamento, voltou a apresentar resultados", complementa. A B2W também teve performance muito boa em 2012, registrando o segundo melhor desempenho do Ibovespa este ano. "A B2W apresentou resultados que deram sinais de melhora no 3º trimestre, voltou a ganhar market share e teve crescimento de vendas", afirma.

MaisOuro foi a melhor aplicação do ano, enquanto dólar registrou alta de 9,42%

Lojas Renner e Natura também foram beneficiadas pela melhora do mercado doméstico. A Duratex foi outra empresa que aproveitou esse "boom", graças ao segmento de móveis, que se mostrou aquecido no ano. Klabin e Fibria, empresas do setor de papel e celulose, conseguiram ter um desempenho bom este ano, apesar de o segmento ter sofrido com os altos estoques mundiais. No entanto, desonerações na folha de pagamento ajudaram a melhorar os resultados das companhias, explica Florentino. Com geração de caixa estável, Cosan, CCR e Sabesp encerram a lista de empresas cujos papéis registraram as maiores altas do Ibovespa este ano. 

Maiores baixas

No sentido oposto, as empresas do bilionário Eike Batista se situaram entre as maiores baixas de 2012. A petrolífera OGX encabeçou a lista, com queda de 67,8%. Mas a MMX, de mineração, e a LLX, de logística, também registraram fortes perdas este ano: 33,58% e 29,08%, respectivamente. Segundo Clodoir Vieira, da Souza Barros, "as empresas são pré-operacionais, com volatilidade muito grande". "Qualquer notícia ou fato relevante que a empresa solte ou faz com que os papéis subam bastante ou caiam bastante", afirma. 

LeiaEspeculações penalizam 10 ações de empresas na bolsa

No caso específico da OGX, o principal impacto sobre as ações da companhia se deveu ao anúncio de que o Campo de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, tinha capacidade para produzir 5 mil barris de óleo equivalente por dia, contra estimativa inicial de até 50 mil barris diários. "É uma característica de todas as empresas de Eike, um anúncio de produção muito forte e, depois, um dado que negue isso. Todo o plano de investimento da empresa tende a ser mal visto pelo mercado", afirma Florentino, da Um Investimentos.

As empresas de energia elétrica, como Eletrobras, Eletropaulo, Cesp, CTEEP e Cemig, também sofreram este ano, após a edição da Medida Provisória 579, que prorroga as concessões do setor. "As que aceitaram o mercado não gostou, e os papéis caíram fortemente por causa desse intervencionismo do governo", explica Clodoir Vieira. 

VejaEm 2013, elétricas reduzirão volume de investimentos

Completando a lista das maiores perdas, Rossi Residencial e PDG Realty registraram alto nível de endividamento em 2012. Por isso, precisaram fazer aumento de capital para captar novos investimentos, o que o mercado encarou como falta de dinheiro em caixa, afetando a confiança nos papéis dessas duas companhias do setor imobiliário.

    Leia tudo sobre: Bovespa
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.