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Moeda americana terminou o pregão com queda de 0,35%, cotada a R$ 2,0436 na venda

SÃO PAULO, 27 Dez (Reuters) - O dólar encerrou no menor nível de fechamento em quase dois meses nesta quinta-feira, numa reação à forte vigilância do Banco Central e com o mercado mais vulnerável a fluxos pontuais devido aos volumes reduzidos.

- Veja também: com movimento baixo, Bovespa recua 0,89% nesta quinta-feira

A moeda norte-americana fechou em queda de 0,34%, cotada a R$ 2,0436 na venda, a menor taxa registrada no fechamento desde 6 de novembro, quando a divisa encerrou a R$ 2,0317.

"O volume está pequeno, então mais para o final do dia o mercado voltou para níveis que o BC considera confortável", afirmou o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel.

Segundo dados da BM&F, o volume negociado nesta quinta-feira foi de 1,833 bilhão de dólares. Durante a sessão, o dólar oscilou com pequenas variações entre os terrenos negativo e positivo, chegando a ser cotado a R$ 2,0405 na mínima e R$ 2,0565 na máxima do dia.

Para operadores, a ligeira alta do dólar no decorrer da sessão se deu por conta de uma piora do humor nas praças financeiras internacionais, mas a vigilância do BC pesou mais no final da sessão, fazendo a divisa devolver esses ganhos.

A autoridade monetária surpreendeu o mercado na quarta-feira ao voltar a fazer leilões de swap cambial tradicional, equivalentes a venda de dólares no mercado futuro, mesmo com a moeda norte-americana já em queda e negociado em torno de R$ 2,07.

Essas operações, que vêm na esteira de uma série de leilões de venda de dólares com recompra conjugada, reforçaram interpretações no mercado de que o BC está preocupado com os efeitos da desvalorização do real sobre a inflação.

O BC anunciou nesta quinta-feira que fará outro leilão de venda de dólares com compromisso de recompra na manhã de sexta-feira.

"O que vale agora é a regra da prudência", afirmou o gerente de Tesouraria do Banco Daycoval, Gustavo Godoy. "O mercado está zerando posições ou trabalhando com posições curtas", emendou.

Apesar da volatilidade vista no mercado nos meses de novembro e dezembro, Godoy destacou que o dólar continua a ser negociado dentro da banda informal de R$ 2 a R$ 2,10, nível em que se encontra na maior parte do tempo desde meados de maio.

No entanto, o dólar em patamares mais próximos do teto da banda pode causar mais pressões inflacionárias em 2013 e por isso o BC estaria se esforçando para trazer a divisa para perto do piso.

Uma importante fonte da equipe econômica disse à Reuters no início de dezembro que o dólar em torno de R$ 2,03 e R$ 2,04 agrada a boa parte da equipe da presidente Dilma Rousseff, pois aumenta a competitividade das exportações brasileiras e favorece os investimentos sem pressionar a inflação.

Battistel, da Fair Corretora, acredita ainda que o BC está tentando trazer o dólar para baixo neste final de ano para influenciar as estimativas de inflação para 2013.

Segundo o relatório Focus desta semana, a projeção para inflação em 2013 foi elevada para 5,47%, ante 5,42% projetados na semana anterior, acima do centro da meta de inflação do governo de 4,5%.

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