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Senior Solutions, BB Seguridade e Smiles são principais candidatas a estrear em 2013

Nem o mais pessimista dos especialistas poderia imaginar que 2012 seria tão fraco em termos de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) e ofertas subsequentes, conhecidas como follow-ons. Foram 10 operações, sendo 3 IPOs e 7 follow-ons. A boa notícia é que esse desempenho não deve se repetir em 2013, ainda que poucos deem projeções mais concretas.

“No último trimestre, vimos ofertas subsequentes de grande porte, o que nos faz acreditar que 2013 será muito melhor do que este ano”, afirma Carolina Lacerda, diretora da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

As candidatas a estrear esse mercado em 2013 são a BB Seguridade, empresa de seguros do Banco do Brasil, e a Senior Solutions, que protocolou pedido de registro de oferta de ações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na semana passada. A Gol quer seguir os passos da Multiplus, programa de fidelidade da Tam, e fazer o IPO da Smiles. A aérea já anunciou a segregação das atividades do programa Smiles, que passarão a ser conduzidas pela Smiles S.A, empresa recentemente constituída. Antes, eram controladas pela VRG. A Gol avalia realizar a oferta, mas diz que ainda não há “qualquer estimativa ou previsão para conclusão destas análises.”

Alan Riddell, sócio da área de finanças corporativas da KPMG, é um pouco mais cauteloso em sua previsão. “O ano de 2013 não deve ser tão pujante como os anteriores, porém sem o estresse de 2012. Deve ser morno, talvez em ritmo de retomada.”

Especificamente para o mercado de IPOs, Carolina acredita que houve uma mudança de percepção por parte dos investidores. “Eles passaram a querer empresas com bom histórico de execução, em vez de companhias que tendem a entregar resultados futuros. Vimos algumas operações com esse perfil, porém as condições macroeconômicas, tanto locais quanto externas, impediram que fossem levadas adiante”, afirma.

Além disso, segundo ela, empresas de grande porte têm condições de captar recursos de outras maneiras que não via mercado de capitais. “Por isso preferiram esperar melhores condições”, completa Carolina.

José Olympio Pereira, presidente do Credit Suisse no Brasil é o único a arriscar projeções para 2013. Ele acredita que o número de operações e o volume captado em IPOs dobrem em 2013 quando comparado a este ano. “Isso não significa que será um ano maravilhoso. Principalmente se você levar em consideração que levantou-se no México US$ 6,5 bilhões”, diz.

As únicas a se arriscarem foram a Locamerica, o BTG Pactual e a Unicasa, que juntas captaram R$ 4,39 bilhões, no pior desempenho desde 2005. Olympio também inclui nessa lista a transmissora de energia Taesa, que captou R$ 1,75 bilhão, ainda que a Anbima e a CVM não a classifique assim.

Quanto aos follow-ons, a expectativa é de que as empresas continuem acessando o mercado de capitais em 2013. “As ofertas subsequentes são bem mais fáceis de executar do que IPOs. As empresas já são conhecidas dos investidores e, caso tenham apresentado resultados financeiros consistentes, terão facilidade de concluir suas operações”, destaca Riddell.

Qualicorp, Fibria, Brazil Pharma, Suzano, Taesa, Lupatech e Minerva levantaram recursos na BM&FBovespa este ano. Para 2013, a expectativa é que empresas que participaram ou que venham a participar de leilões de concessões de projetos logísticos acessem o mercado de capitais para levá-los adiante.

Além disso, empresas dos setores de infraestrutura, consumo e prestadoras de serviço para o setor de óleo e gás são candidatas a abrir capital, aponta Antonio Felix de Araujo Cintra, sócio responsável pela área de mercado de capitais do Tozzini Freire Advogados. “Há operações represadas que deveriam ter saído entre 2011 e este ano e não foram levadas adiante pelas condições do mercado.”

Outra expectativa gira em torno da abertura de capital de pequenas e médias empresas na BM&FBovespa. “Estamos trabalhando para que essas operações saiam ainda em 2013. O número de empresas listadas da bolsa brasileira é igual ao de IPOs na China anualmente e precisamos equacionar isso”, diz Carolina. O sócio da KPMG faz uma ponderação. “Tem de haver liquidez para que o investidor não fique ‘preso’ à empresa. Ou seja, quando decidir vender, não desvalorize a ação.”

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