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Volume de recursos em fundos de private equity atingiu US$ 850 milhões em novembro

Brasil Econômico

O Brasil já está trazendo retornos para a gestora americana de private equity Hamilton Lane, que desembarcou no país em setembro do ano passado, quando inaugurou escritório no Rio de Janeiro. Com pouco mais de um ano de atuação, a empresa já elevou em 70% os ativos sob gestão no país, para um total de US$ 850 milhões.

A Hamilton Lane tem mais de US$ 163 bilhões em ativos sob gestão no mundo. Antes da abertura do escritório no país, os clientes mundiais da gestora podiam aplicar no Brasil por meio de fundos que destinavam parte dos recursos para mercados emergentes. Com este modelo de investimento, a Hamilton Lane conseguiu atingir US$ 500 milhões no período de 15 anos. Com o escritório local, no entanto, atingiu mais US$ 350 milhões em pouco mais de um ano.

No país, a ideia é desenhar fundos para investidores locais e depois para estrangeiros aplicarem diretamente no Brasil. Neste sentido, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já deu autorização para a gestora abrir um fundo e o registro do veículo aconteceu em junho deste ano. Não há ainda distribuição de cotas aos aplicadores interessados, apenas se sabe que o BTG Pactual é o administrador.

“Vemos muitas tendências macroeconômicas que vão levar a um crescimento no Brasil”, afirma o vice-presidente para o escritório no país, Filipe Caldas, executivo de origem portuguesa que, antes, atuava em outra gestora de investimentos, a Capital Dynamics. “À medida que o mercado de private equity continua a maturar no país, vemos mais oportunidades interessantes de investimento e é desejável que nossa alocação aumente” pondera. Por enquanto, a Hamilton Lane não tem interesse em expandir a atuação para o restante da América Latina.

A gestora continua a manter três premissas básicas de investimento no país, de olho em companhias que se beneficiem dos recursos naturais brasileiros, do crescimento da classe média e dos grandes eventos esportivos, a Copa do Mundo em 2014 e a Olimpíada em 2016. Desta forma, foca os setores de educação, saúde, serviços financeiros, varejo e energia.

Uma mudança na estratégia diz respeito às regiões de atuação das empresas investidas — na atividade de private equity, os fundos compram participações em empresas. “Parece, finalmente, que se tornou tendência o investimento fora do eixo Rio de Janeiro - São Paulo. Para se ter uma ideia, o Nordeste do país cresce a dois dígitos nos últimos anos”, pondera.

A gestora considera que a queda do juro é um impulsionador para as atividades no Brasil. “As empresas terão menos custos e, desta forma, se tornam mais rentáveis, o que significa que estarão mais fortes e darão mais retorno”, pondera o diretor mundial da gestora, Hartley Rogers. Ele acrescenta que a queda de juro também penaliza outras formas de investimento, destacando o private equity como uma alternativa aos aplicadores. “O investidor vai olhar mais para a opção, que tende a ganhar prêmio maior, em relação a outros ativos”, diz.

De acordo com ele, os riscos de investir no Brasil estão relacionados ao fato de este ser um país emergente, que tende a crescer muito rápido, porém depois diminuir o ritmo de avanço, podendo tornar difícil o retorno com o investimento em empresas. “Mas acredito que neste momento as oportunidades são boas para entrar no país, sem grandes riscos.”

Por este motivo, ele diz que a atividade de private equity desperta o interesse de fundos de pensão, seguradoras, family offices. “As pessoas estão excitadas em conhecer o Brasil, porque faz sentido considerar o país quando se cria um portfólio global. Vemos investidores de diversos tipos olhando para o Brasil e da Europa, Estados Unidos, Canadá e Ásia."”

Quanto às expectativas para 2013, ele diz que são positivas, apesar das incertezas que rondam a economia mundial. “Temos de ver ainda o que vai acontecer com o novo governo na China, com os bancos na Europa e com as discussões do orçamento nos Estados Unidos”, diz Rogers. “Temos certeza de que o ano vai ser muito positivo para o mercado de private equity, porque o retorno das outras classes de ativos será menor, e uma incerteza grande quanto ao cenário global.”

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