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Este foi um ano difícil para o setor, com queda dos juros e fraco desempenho das ações na bolsa brasileira

O ano de 2012 foi um dos mais desafiadores para os fundos de pensão brasileiros. A menor rentabilidade dos títulos públicos, em função da queda da taxa básica de juros, aliada à má performance da renda variável fizeram com que o retorno da carteira de investimentos superasse por pouco o requerido para o pagamento da atuais e futuras aposentadoria.

Estimativas da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) revelam que o retorno dos investimentos foi de 9,1% neste ano, enquanto a meta atuarial (INPC+6%) foi de 11,86%. No ano passado, a meta atuarial já não havia sido cumprida pelas fundações: o retorno médio das carteiras de investimento foi de 9,8% — impactada pela rentabilidade de apenas 1,35% da renda variável — contra necessidade atuarial de 12,44%.

“Foi um ano bastante difícil para os fundos de pensão. Temos que pensar em opções para elevar o retorno dos investimentos, a fim de cumprirmos com nossas obrigações”, afirma Jorge Simino, diretor de investimentos da Fundação Cesp, fundo de pensão dos funcionários do grupo AES Brasil, grupo CPFL Energia, Companhia Energética de São Paulo (Cesp), entre outras empresas do setor de energia elétrica.

Entre as alternativas já colocadas em prática pelo maior fundo de pensão privado do país, com patrimônio líquido de R$ 121 bilhões, está a maior aposta em fundos multimercados e em fundos de ações sem benchmark definido — chamados pelo executivo de fundos de retorno absoluto. Nos últimos dois meses do ano, as aplicações nesses veículos somaram R$ 400 milhões. “Será preciso tomar mais risco, mas com cautela. Não temos espaço para voluntarismo.”

Outra fundação que se prepara para buscar retornos mais agressivos é a Real Grandeza, dos funcionários de Furnas e da Eletronuclear. Eduardo Garcia, diretor de investimentos da fundação, conta que a preparação para a mudança de cenário vem desde 2007. “Antevendo a convergência da Selic a patamares internacionais iniciamos o alongamento dos prazos dos títulos públicos da nossa carteira. Chegamos a adquirir ativos cujos retornos variavam entre 8,5% e 10% ao ano. Hoje esses títulos não estão mais disponíveis e, por isso, precisamos buscar alternativas que garantam a rentabilidade necessária no futuro”, diz.

Entre elas está o melhor posicionamento em renda variável. Garcia explica que entre 2011 e este ano, a entidade iniciou o processo de seleção de ativos, no qual papéis ligados às commodities tiveram sua exposição reduzida para ceder espaço às ações ligadas ao mercado interno e ao consumo.

A gestão da carteira de ações também está segregada em ativa (40%) e passiva (60%). “Para 2013 discutimos aplicar em ETFs (fundos de índices) na parcela passiva, especificamente o de small caps. Já podíamos investir nesse tipo de ativo, porém atrelado ao IBrX.”

A Real Grandeza também quer aumentar sua exposição em investimentos estruturados, especialmente em Fundos de Investimento em Participação (FIPs). E vem fazendo isso ao longo dos anos. Entre 2005 e 2010, a entidade aplicava em apenas 1 FIP. No ano seguinte, elevou esse número para 3 e este ano soma 5 FIPs em sua carteira. Contudo, para o ano que vem, a escassez de oferta pode colocar em risco os planos da fundação. “Prospectamos alguns fundos que não nos agradaram. Esperamos que, com o ciclo de expansão econômica prevista para os próximos anos, a oferta de FIPs cresça”, destaca Garcia.

As estratégias que deverão ser adotadas por ambas as fundações estão em linha com o pretendido pelos fundos de pensão acompanhados pela consultoria Aditus Consultoria Financeira, que somam R$ 50 bilhões em patrimônio líquido. “Tudo depende do porte da entidade, mas diria que o primeiro movimento é aumentar a exposição em títulos de crédito privado, como debêntures e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), embora em 2012 a demanda tenha sido maior que a oferta”, pondera Alan Infante, sócio da Aditus.

O próximo passo, segundo o especialista, é a revisão dos investimentos em ativos de renda variável cuja gestão é passiva: busca por fundos que não tenham um benchmark definido, a exemplo do pretendido pela Fundação Cesp, bem como fundos multimercados estruturados, cuja estratégia é ativa, porém com volatilidade mais alta.

Por fim, os fundos de pensão de maior porte tem nos FIPs a alternativa ideal para diversificar seu portfólio de investimentos. “A demanda por esse tipo de ativo cresceu mais do que estávamos esperando. Mas ainda são participações pequenas, que devem avançar em um futuro próximo”, diz Infante.

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