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O estoque total de crédito no ano que vem deve crescer 14%, segundo informou nesta quarta-feira o Banco Central, depois de registrar expansão esperada de 16% em 2012

Reuters

A expansão do mercado de crédito deve continuar desacelerando em 2013, ao mesmo tempo em que haverá menor redução das taxas de juros e queda na inadimplência.

O estoque total de crédito no ano que vem deve crescer 14%, segundo informou nesta quarta-feira o Banco Central, depois de registrar expansão esperada de 16% em 2012. O crescimento continuará vindo sobretudo dos bancos públicos, cujos estoques devem crescer 18% em 2013, ante 26% neste ano. Essas instituições respondem por quase 50% de todo estoque de crédito no país.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, disse que a desaceleração no crédito não impede o maior crescimento da economia esperado para 2013. "O crédito se expande acima do PIB mostrando a relevância como fator do estímulo ao crescimento. (O estoque de crédito) cresce de maneira moderada em relação a anos anteriores, o que é natural porque a base de comparação vai aumentando", argumentou.

O mercado acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) do país crescerá apenas 1% neste ano, subindo a 3,40% em 2013.

Apesar da desaceleração no quadro geral, os bancos privados devem acelerar o passo em 2013. Ainda segundo dados do BC, os estoques das instituições financeiras privadas nacionais crescerão 7% em 2012 e 10% em 2013. Já para os bancos estrangeiros, a estimativa é de 11 e 12% de alta, respectivamente para este e para o próximo ano.

Apesar de crescer acima do PIB, o crédito vem desacelerando desde 2010, quando expandiu 21% e a economia, 7,2%. Em 2011, quando o crescimento da atividade foi de 2,7%, o crédito registrou alta de 19%.

Para 2013, o governo projeta um crescimento do Produto Interno Bruto de 4,5%, conforme consta do Orçamento para o ano que vem, mas o ministro Guido Mantega disse nesta quarta-feira que 4% é um "bom número".

A maior cautela dos bancos privados vinha sendo vista durante os últimos meses, como reflexo da maior inadimplência e da desaceleração da economia.

QUEDA NO LONGO PRAZO?

O crescimento do crédito vem sendo acompanhado pela queda mais significativa da Selic, que está em 7,25% ao ano, o menor patamar da história.

Neste ano, até novembro, a taxa média de juros caiu 8,2 pontos percentuais, chegando a 28,9% ao ano no mês passado. Já os juros cobrados das famílias caiu 9 pontos, para 34,8% ao ano, enquanto que para as empresas, a queda foi de 6,5 pontos, para 21,7% ao ano. Todos são os menores patamares da série histórica do BC.

Mas esse ritmo não deve ser visto no longo prazo, segundo Maciel. "Daqui para frente, não é para esperar reduções na mesma magnitude ao observado em 2012", disse o técnico do BC.

Já a inadimplência, depois de resistir por meses em patamares elevados, deve manter a trajetória comedida de redução. Os calotes médios em operações de crédito registraram o primeiro recuo após quatro meses de estabilidade, ficando em 5,8%, em novembro.

"Com esse recuo na margem em novembro, há uma sinalização de arrefecimento à frente", afirmou Maciel.

A queda na inadimplência geral veio da leve redução nos calotes de pessoas físicas, que caíram 0,1 ponto percentual no período, para 7,8%, influenciada pela redução na falta de pagamento de financiamento de veículos de 0,3 ponto percentual em relação a outubro, para 5,6% em novembro.

"Com esse resultado a gente pode desenhar que o momento crítico de inadimplência nessa modalidade foi superada", sustentou o técnico do BC.

Para empresas, a taxa de inadimplência ficou estável em 4,1% no mês passado, segundo o BC.

O crédito total disponibilizado pelo sistema financeiro no Brasil subiu 1,5% em novembro, sobre o mês anterior, chegando a 52,6% do Produto Interno Bruto (PIB), ou 2,304 trilhões de reais.

O BC informou que o spread médio --diferença entre o custo de captação do banco e a taxa efetivamente cobrada ao consumidor final-- atingiu 21,6 pontos percentuais em novembro, contra 22,1 pontos no mês anterior.

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