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Modalidade de crédito avança com concorrência; só financiamento imobiliário subiu mais: 52,7%

Até um tempo atrás, para as instituições financeiras, o grande filão do crédito consignado eram os funcionários de entidades públicas, por causa da estabilidade do emprego. Não que isso tenha mudado completamente, mas com a queda na taxa de juros e o consequente aumento na competitividade entre bancos, os funcionários do setor privado são o novo alvo das instituições. O segmento cresceu 30,7% em 12 meses, perdendo apenas para a alta do financiamento imobiliário (com 52,7%) até outubro deste ano, de acordo com dados do Banco Central. Já no que se refere a crédito consignado total o crescimento em 12 meses foi de 17,4%.

No entanto, quando se compara o saldo de crédito para pessoa física do setor público com o privado, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Enquanto o primeiro soma R$ 155 bilhões, o segundo não chega nem a R$ 30 bilhões. A principal explicação por que esse mercado ainda não deslanchou é a complexidade de se criar uma interface com as empresas privadas. “No caso do setor público, existe uma fonte pagadora para milhares ou até milhões de pessoas e uma contratante do processamento — que faz a gestão da folha de pagamento. Já no setor privado, o nível de diversidade é muito maior, tem empresas de todos os portes”, explica Renato Oliva, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC). “O banco que faz a gestão da folha de pagamentos da empresa não quer primeiramente oferecer consignado porque concorre com o limite do cheque especial e do cartão de crédito, que são produtos mais interessantes. Mas instituições terceiras começaram a entrar nessa seara, acordando os bancos que tem monopólio da folha. Banco nenhum quer deixar de fidelizar o cliente”, acrescenta.

Breno Costa, economista-chefe da GoOn, diz que o consignado para o setor público encontrou um teto. “Não se consegue gente nova para atender o tempo todo — por isso se busca outra fonte”, explica o especialista que acredita que esse produto deve ser um dos motores de crescimento do ano que vem.

Oliva lembra ainda que a estabilidade no emprego em companhias públicas é muito maior do que no setor privado, mesmo com a taxa de desemprego em patamares mínimos históricos. “Se uma pessoa sai do emprego e em uma semana já arranja outro, isso não impacta na taxa de desemprego, mas tem enorme peso no que se refere à possível inadimplência”, afirma. É isso que explica as taxas maiores para funcionários de empresas privadas quando comparadas com às do segmento público.

Costa acrescenta que a expectativa para calote, em 2012, deve ser de 8%. “Este ano foi desafiador em termos de inadimplência, o que levou à restrição de crédito. O que preocupa é o cenário macroeconômica — toda semana o mercado revê as projeções de crescimento — que vai desembocar nas taxas de emprego e rendimento. A perspectiva é piorar.”

Na prática

O banco Gerador é uma das instituições que estão apostando nesse segmento. “Começamos com crédito consignado nas empresas que o Grupo Nordeste (fundador do banco) já conhecia. Aprendemos a fazer esse tipo de crédito para o setor privado, que é pouco explorado”, afirma Ademir Cossielo, vice-presidente do banco. A instituição foi criada em 2009 com o objetivo de ser um banco regional.

De início, a instituição começou oferecendo crédito consignado ao setor privado, segmento ainda pouco explorado pelos grandes bancos. Em seguida, a oferta se ampliou com o crédito com desconto em folha para beneficiários do INSS e servidores públicos. Mas por ser um mercado de maior concorrência, a alternativa foi buscar convênios pouco explorados. “Esse é um mercado pouco disputado nas pequenas prefeituras”, afirmou o executivo, que está no cargo desde agosto. (Com Ana Paula Ribeiro).

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