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Após reduzir compulsório sobre posição vendida, pode cortar o IOF sobre derivativos

A decisão do Banco Central em facilitar a posição vendida de câmbio (que aposta na alta do real) dos bancos, por meio da mudança no compulsório, reacendeu ontem a expectativa de que o arsenal de medidaspara conter a alta do dólar ainda não terminou. A próxima e mais cogitada pelos agentes seria uma intervenção no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1% incidente sobre os derivativos, em posições acima de US$ 10 milhões. O que se ventila é a possibilidade de ter o limite ampliado pelas autoridades.

Mesmo com o decreto publicado pelo BC, o dólar não chegou a recuar frente ao real, e ficou oscilando próximo da estabilidade o que, segundo Daniel Moreli, superintendente de tesouraria do BI&P — Banco Indusval & Partners, é um dos indícios “de que o governo poderia tomar outra medida no sentido de combater a alta do dólar”.

Ontem, o Banco Central publicou circular aumentando o valor livre de compulsório na posição vendida dos bancos — quando as instituições vendem dólares sem possuir a moeda em suas reservas.

Cada banco terá que recolher uma alíquota de 60% de suas posições vendidas em dólares que superarem US$ 3 bilhões. Anteriormente, esse limite isento do compulsório era de apenas US$ 1 bilhão.

Com a medida, o BC permite que os bancos aumentem suas posições vendidas, o que tira pressão de alta da moeda americana em relação ao real. Quando os bancos vendem dólares, apostam na queda da moeda estrangeira, elevando a tendência de desvalorização da divisa.

Segundo o BC, hoje não existe nenhum valor recolhido neste compulsório e a medida serve para injetar mais liquidez neste momento que há escassez de liquidez sazonal de final do ano, com mais filiais mandando recursos para suas matrizes no exterior, por exemplo.

Para o mercado, no entanto, a decisão do BC também ajuda a segurar a cotação do dólar, que voltou ao patamar de R$2,10, tido como teto informal imposto pela autoridade monetária.

“Isso é para segurar a alta do dólar... Acho que o mercado estava travado sem poder aumentar as vendas e com essa medida abre caminho para isso”, afirma um operador de câmbio em condição de anonimato.

Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, diz que, embora as medidas das últimas semanas sejam para reverter o quadro de falta de dólar no mercado e ampliar o ingresso de recursos estrangeiros, o efeito é praticamente nulo. “Em dezembro, o fluxo já está bem negativo, não há medida que vá mudar este panorama. O Brasil deixou de ser a menina dos olhos do mercado mundial e, depois de tanta interferência do governo no mercado, os investidores acabaram assustados, o que vem inibindo o ingresso de dóalres”, afirma.

Mário Battistel, diretor de câmbio da Fair Corretora, também acredita que o efeito será pequeno. “Sazonalmente todo final de ano há uma pressão de alta do dólar, com os bancos e empresas correndo para se livrar de caixa”, acredita. Para Battistel, o que o Banco Central deveria fazer era retomar os leilões no mercado à vista. “Em vez de apagar incêndio grande acaba apagando fogueirinha”, brinca.

Pressão sobre os preços

A avaliação do mercado é que o BC voltou a defender o teto informal de R$ 2,10 por entender que uma alta excessiva da moeda pode ser prejudicial para a inflação.

Assim como vários economistas, Moreli também não acredita na convergência da inflação para a meta em 2013. Pelos cálculos do Indusval, o IPCA chegará a dezembro do ano que vem próximo dos 6%.

“Acho difícil encontrar algum economista que tenha a projeção de inflação convergindo para os 4,5% no final do ano que vem”, comenta Moreli. “Se existe algum risco, é de a inflação ir para o teto, e não para o centro da meta”.

Mesmo com essa descrença do mercado sobre o cenário com o qual trabalha o BC, Moreli não espera por alterações radicais no discurso da autoridade em seu Relatório de Inflação — que será divulgado amanhã— principalmente pelas últimas sinalizações vindas de dentro do governo.

Com Reuters

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