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Enquanto a Santos Brasil sobe 10,54%, a Docas Imbituba, registra queda de 13,64%

O anúncio do pacote para portos, que aprimora a legislação e prevê investimentos de R$ 54 bilhões na cadeia, anunciado pelo governo federal na semana passada, teve impactos diversos nas ações do setor.

Desde o dia anterior ao anúncio, no dia 5, a Santos Brasil, que opera terminais de contêineres, exportação e unidades de logística portuárias na região de grandes portos do país, entre eles o de Santos, registrou ganhos de 10,54%. No mesmo período, a Companhia Docas de Imbituba, que administra o Porto de Imbituba, em Santa Catarina, teve queda de 13,64%.

Como existem muitos pontos a serem aprovados, e a discussão pode se alongar,são levantadas incertezas que podem pesar sobre os papéis.

É o caso da Companhia Docas de Imbituba. O pacote prevê uma nova licitação para o porto, cuja concessão termina no final do ano. A administradora se mobiliza para garantir a concessão.

Já a Santos Brasil, por apresentar resultados consistentes e ter operação ampla, acaba sendo beneficiada com as medidas.

Outras empresas, como a OSX, de construção naval, apresentaram oscilação menor: alta de 4,40%. A Wilson Sons, que opera terminais de contêineres, registrou ganhos de 5%. Isso porque a empresa tem operação mais limitada, em portos menores, enquanto a OSX tem projetos de longo prazo, em novos portos. O pacote, portanto, não tem efeito imediato sobre o papel, diz Pedro Galdi, analista da corretora SLW.

Para analistas, porém, os efeitos do pacote são, de forma geral, positivos para a cadeia portuária.

“Existe um grande gargalo nas concessões, e o governo quer uma indústria mais competitiva, já que o setor sofreu nos três primeiros meses do ano e continua enfrentando obstáculos para crescer. Para isso, o objetivo é reduzir o custo Brasil, melhorando a infraestrutura no país, inclusive o setor portuário”, diz Galdi.

Para ele, outros setores que não estão diretamente ligadas ao setor, também devem se beneficiar dos investimentos, como siderúrgicas e metalúrgicas, que produzem para a cadeia portuária.

Para os analistas Daniel Spilberg e Felipe Vinagre, do Barclays, as medidas são um impulso para a rentabilidade de ações do setor, pois “aumenta investimentos, reduz custos e cria eficiência”, dizem, em relatório.

Porém, há incertezas sobre as condições de novas concessões, aumento da competição e impacto de redução de tarifas em negócios no médio prazo.

Os papéis podem ganhar espaço na carteira de small caps, que foram a estrela do ano na bolsa em detrimento de ações tradicionais, como commodities.

“Ações relacionadas a concessões registraram altas acima de 20% este ano, pois estão no foco do governo e trazem rentabilidade maior em um cenário de juros baixos”, conclui Galdi.

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