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Correção do câmbio ainda é insuficiente para manter a paridade e novo ajuste deve acontecer em 2013, prevê professor da FGV

Apesar da desvalorização neste ano, o real ainda precisa recuar frente ao dólar para alcançar uma taxa de câmbio de equilíbrio. “O câmbio ainda está um pouco apreciado _ algo em torno de 10% — frente a uma cesta de moedas”, diz o professor Emerson Marçal, da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Parte da correção já aconteceu neste ano. Em algum momento, haverá mais um movimento. Mas ninguém sabe quando será.”

A assertividade na previsão de que o real perderá força se deve às altas de preços verificadas recentemente. “O Brasil tem índice de inflação acima dos parceiros comerciais. Para manter a paridade do poder de compra, teria de desvalorizar a taxa de câmbio”, aponta Marçal.

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Com a moeda brasileira menos forte, as exportações ficam mais competitivas, favorecendo a balança comercial. Por sua vez, os bens importados se tornam mais caros, o que incentiva o consumidor a comprar itens produzidos no Brasil, elevando a demanda local. Daí aparece o problema da desvalorização do câmbio: junto com aumento da demanda por produtos “made in Brazil”, traz pressão inflacionária.

Nos últimos anos, o câmbio valorizado jogou a favor do controle da inflação no Brasil, pois, com o real forte, os consumidores dão preferência a importados, o que absorve o incremento no mercado local. “Se a alta de preços ficar na casa de 5% em 2013, os fundamentos ficam apertados. Se chegar aos 6%, cria-se uma situação preocupante”, diz Marçal.

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A coisa muda de figura, contudo, se o governo conseguir domar a inflação com outros mecanismos. “Se ela ficar perto do índice registrado em outras economias, não há razão para forçar a desvalorização.”

Importações têm recuo

A desvalorização do real contribuiu para que os brasileiros consumissem menos produtos industriais importados no terceiro trimestre. Só um pouco menos (0,2 ponto percentual), é verdade, mas tratou-se da primeira retração em dois anos e meio. No período, a participação de bens estrangeiros ficou em 22,1%, pouco abaixo dos 22,3% do segundo trimestre.

A informação, pinçada do estudo Coeficientes de Abertura Comercial, produzido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), não basta para afirmar que se trata de uma tendência. Ao contrário. Com a recessão nos mercados desenvolvidos, a produção de países asiáticos é canalizada para mercados emergentes, como o Brasil.

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O estudo da CNI aborda 27 setores, dos quais 12 tiveram redução nas importações. As maiores quedas foram registradas nas indústrias de petróleo e biocombustíveis (2,4 pontos percentuais) e de farmoquímicos e farmacêuticos (0,7 ponto percentual). As retrações se devem à alta na taxa de câmbio ocorrida no início do ano e às medidas adotadas pelo governo para a desoneração dos setores industriais, explica o texto.

Exportações

As exportações (em relação ao total da produção) se mantiveram estáveis em 18% devido aos mesmos fatores que pressionaram as importações: medidas de desoneração da folha de pagamento de determinados setores e desvalorização do real desde o início do ano. Além disso, o passo trôpego com que segue a economia internacional impede que as vendas subam.

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