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Opção é saída para ampliar rentabilidade. Real Grandeza começará em 2013

O retorno pífio obtido pelos fundos de pensão neste ano acendeu o sinal de alerta e os levou alguns a pensar em investir em mercados nunca antes explorados, como o aluguel de ações.

Considerando a carteira de ações das entidades fechadas de previdência complementar, que em junho (último dado disponível) somava quase R$ 170 bilhões, o potencial de aplicação nessas operações seria de aproximadamente R$ 35 bilhões — os fundos de pensão que alugam ações , em média, de 20% a 25% das suas carteiras de renda variável.

A Real Grandeza, fundo de pensão dos funcionários de Furnas e da Eletronuclear, é uma das que irão ingressar nesse mercado a partir do ano que vem. Eduardo Garcia, diretor de investimentos da fundação explica que a decisão veio após o desenvolvimento, junto ao Bradesco, de um sistema eletrônico que confere transparência aos negócios. “Até então não tínhamos um modelo de gestão para essa modalidade que nos desse controle, fiscalização e segurança semelhante ao que temos para os demais ativos”, pondera.

O executivo explica que o sistema irá contrapor o mercado de balcão, ambiente no qual são concluídas as operações de aluguel de ações. “O mercado de balcão não consegue responder uma simples pergunta: a taxa de aluguel acertada entre as partes é compatível com a praticada pelo mercado. O sistema nos responderá isso”, diz Garcia.

Foram credenciadas 13 corretoras pela fundação para dar andamento aos negócios. “Essas corretoras receberão as ordens e nos enviarão as taxas propostas. O sistema irá ordená-las da maior para a menor e a maior ganha o leilão”, explica o diretor de investimentos da fundação. “O registro da operação ficará a cargo do Bradesco”, completa Garcia.

O aluguel de ações pela Real Grandeza está limitado a 20% — o que, em volume financeiro, representa R$ 400 milhões — da carteira de renda variável, que, de acordo com o executivo, deve gerar retorno entre 1% e 2%. “O ganho pode parecer pequeno, mas qualquer retorno diante do atual cenário econômico é positivo”, afirma.

Jorge Simino, diretor de investimentos da Fundação Cesp, concorda. “O retorno compensa, apesar de ser trabalhoso operacionalmente”, diz, sem revelar a taxa de ganho que obtém com o aluguel de ações. O maior fundo de pensão privado do país já faz esse tipo de operação desde 2008, limitada a 25% da carteira de renda variável.

Paulo Moritz Kom, consultor de investimentos Luz Engenharia Financeira lembra que os percentuais disponibilizados pelas fundações para o aluguel de ações não devem ser altos, haja visto que, ao alugar um papel, é proibido vender o mesmo. “O interesse em aluguel de ações cai diante da perspectiva de alta da bolsa de valores brasileira. Se a fundação tem um percentual alto travado nesse tipo de operação limitará seu ganho em eventual valorização das ações”, explica o especialista.

François Racicot, diretor da área de investimentos da consultoria Mercer, diz que tem recomendado aos seus clientes que solicitem aos gestores terceirizados o aluguel de ações. Porém, segundo ele, ainda há resistência por ser operacionamente trabalhoso e financeiramente pouco atrativo.

Quem também aluga parte da carteira de ações é a Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal. O gerente de operações financeiras da fundação, Adriano Suzarte, explica que disponibiliza a operação em uma carteira específica, referenciada no Ibovespa. “Para essa carteira, nosso limite é de 90%. Porém nem todos os ativos chegam nesse limite. Por isso estamos trabalhando para atingi-lo, principalmente entre os ativos menos líquidos.”

Dados da BM&FBovespa mostram o volume transacionado por fundos de pensão com aluguel de ações somou R$ 2,25 bilhões em novembro, sendo que no mesmo mês do ano passado, o montante havia sido de R$ 1,91 bilhão. Vale lembrar que as fundações só podem ser doadoras no aluguel de ações, ou seja, só podem disponibilizar os papéis que detêm aos interessados (conhecidos como tomadores) em alugá-los. e vem”, conclui Fonseca.

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