Tamanho do texto

Moeda fecha a R$ 2,0838 na venda e perto da máxima do pregão, de R$ 2,0850

O dólar fechou em alta ante o real nesta quinta-feira, com saídas pontuais de dólares poucas horas antes do final da sessão e piora do cenário externo com preocupações crescentes sobre o abismo fiscal nos Estados Unidos puxando a cotação.

A moeda norte-americana subiu 0,40%, encerrando a R$ 2,0838 na venda e perto da máxima do pregão, de R$ 2,0850, depois de passar boa parte da sessão perto da estabilidade. Segundo dados da BM&F, o volume negociado estava em torno de US$ 2,600 bilhões.

Operadores lembram que no final do ano é comum que ocorra maior fluxo de saída de dólares do país, com envio de remessas e dividendos de filiais brasileiras para as suas matrizes no exterior. Dados do Banco Central já mostraram que o fluxo cambial --entrada e saída de moeda estrangeira no país-- iniciou o mês de dezembro negativo, com déficit de US$ 1,350 bilhão até o dia 7.

Além disso, os investidores estão evitando fazer posições arriscadas nos últimos dias do ano após série de declarações e intervenções de autoridades brasileiras que agitaram o mercado de câmbio.

"Acredito que há fluxos que estão levando a essa alta do dólar", disse o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel.

Além da saída de dólares, investidores estão ficando mais apreensivos com a questão fiscal norte-americana, já que os políticos do país têm até o final do ano para evitar os aumentos de impostos e o cortes de gastos automáticos do chamado abismo fiscal, que poderia levar os EUA para a recessão.

"Está sendo muito difícil alcançar um acordo entre republicanos e a Casa Branca sobre o abismo fiscal, as incertezas aumentam a aversão ao risco", disse o consultor de pesquisas econômicas do Banco Tokyo-Mitsubish, Mauricio Nakahodo.

O presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, acusou o presidente Barack Obama de "levar lentamente" a economia para o abismo fiscal nesta quinta-feira. Enquanto isso, a Casa Branca diz não ter visto qualquer movimento de republicanos em questões importantes sobre o assunto.

As incertezas sobre o país levaram o dólar a se valorizar ante algumas divisas. Às 18h03, a moeda tinha alta de 0,15% ante uma cesta de divisas.

Investidores também têm adotado uma postura mais cautelosa depois da atuação mais intensa do governo no mercado. O dólar foi negociado em torno dos patamares de R$ 2,02 e R$ 2,04 por mais de quatro meses e viu um rali no mês de novembro puxar a moeda para perto de R$ 2,14, no intradia.

Declarações e atuações aparentemente divergentes de autoridades do governo e do BC fizeram o mercado colocar a banda informal de R$ 2 a R$ 2,10 em dúvida.

Mas recentes medidas do BC para prover liquidez --o que consequentemente impacta a taxa de câmbio-- e novas declarações de autoridades do BC voltaram a sinalizar que não há intenção de deixar o dólar ultrapassar o teto da banda.

"Eles (autoridades do governo) têm, por agora, mostrado sua preferência pelo dólar entre 2 e R$ 2,10. Mas eu acredito que há uma boa chance de que o crescimento pode continuar baixo", disse o sócio-gestor do SLJ Macro Partners, Stephen L. Jen, em entrevista no "chatroom" do Trading Brazil, da Reuters, acrescentando ainda que a perspectiva de uma fraca atividade também pode faz o real perder força ante o dólar.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.