Tamanho do texto

Estratégia do BC para impedir alta excessiva tem sido controle com intervenções e fala da equipe econômica

Desde que o dólar atingiu a máxima em três anos e meio — no dia 30 de novembro, quando foi a R$ 2,13 — a equipe econômica não mede esforços para transmitir, de forma direta ou indireta, a mensagem de que não deixará a moeda flutuar livremente. “Temos um câmbio flutuante, com uma flutuação suja, é verdade. O BC tem feito, às vezes, mais ou menos intervenções no câmbio, mas com excelentes resultados, que ajudam a equilibrar o balanço de pagamentos”, admtiu ontem o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo.

Além das diversas intervenções, com leilões de swap cambial, o discurso dos agentes têm sido uma estratégias para segurar a cotação “no grito”.

Ontem, além de Hamilton, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, deu seu recado reafirmando que o regime é flutuante, mas ao mesmo tempo enfatizou que isso não é um estímulo à variação excessiva da cotação do dólar frente ao real.” O regime cambial é flutuante, mas não deve ser incentivo para a volatilidade”, disse durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Depois de o câmbio passar os primeiros meses do ano na faixa de R$ 1,70 a R$ 1,80, medidas do governo e atuações do BC levaram a moeda a R$ 2. Para o mercado, há uma banda “psicológica” entre R$ 2,05 e R$ 2,10, já que uma cotação mais alta começaria a afetar a inflação, ponto de preocupação atual do governo.

Outro que veio em defesa da atuação da equipe econômica no câmbio foi o secretário do Tesouro, Arno Augustin, que afirmou ontem que a atual taxa de câmbio é mais realista.“O real vinha excessivamente valorizado e esse câmbio atual é mais realista. Não vamos ter um grande impacto inflacionário pelo câmbio”, disse.

Augustin negou ainda que o governo tenha uma meta para o dólar. “Não achamos bom uma volatilidade excessiva e o BC faz um trabalho magnífico sobre isso, olhando as entradas e saídas. O governo não tem patamar, não tem meta do câmbio”.

Para Marcos Forgione, diretor da BrokerBrasil Corretora, se o governo não fizesse nada o dólar provavelmente estaria em queda em dezembro, principalmente por ser um período de escassez de moeda com várias empresas enviando remessas às suas matrizes e quando as exportações diminuem. “A preocupação com a inflação é muito grande. Há demonstração clara que tem preocupação com crescimento, de forma sustentada. Estão (BC) sendo técnicos, seguindo uma linha técnica e coerente”, afirma.

Segundo João Medeiros, diretor da Pioneer, o câmbio ideal para a indústria é R$ 2,00 e para o Brasil, 2,10. “Mais que este patamar é soro na artéria da inflação”, diz Medeiros.

Leia mais notícias de economia, política e negócios no jornal Brasil Econômico

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.