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Maior parte ainda é realizada com dinheiro e cheque, segundo aponta nova pesquisa da Visa

Os pagamentos realizados pelas empresas e pelos governos de todo o mundo representam US$ 109,1 trilhões, a maior parte realizada com dinheiro e cheque. “A penetração do cartão ainda é muito pequena, embora não saibamos o percentual ao certo, e uma das principais razões para isso é que o plástico concorre com mecanismos tradicionais e a mudança de cultura demora”, diz Diego Rodriguez, diretor de Soluções Comerciais para a Visa para América Latina e Caribe. A bandeira quer ampliar o uso de seus cartões neste mercado.

Os dados, do Índice de Consumo Comercial (ICC), foram divulgados ao BRASIL ECONÔMICO pela bandeira Visa. O indicador mede a cada ano, desde 2004, os pagamentos feitos pelas empresas e pelo governo em itens como bens, serviços e tributos, por exemplo. A cifra, referente ao ano de 2011, representa um avanço de 12% frente a 2010.

Dados da bandeira de cartões revelam que a forte cultura de pagamentos realizados nas agências bancárias é um entrave para o uso de meios eletrônicos. Na região da América Latina, por exemplo, 24% das empresas vão ao menos uma vez por dia na agência bancária para quitar boletos e 70% vão ao menos uma vez por semana.

Outro número indica que as empresas gastam 20% de seu tempo efetuando pagamentos, o que significa que perdem um dia da semana — contando dias úteis — com isso, que poderia ser usado no atendimento aos clientes. “Existe ainda a percepção de que o cartão é uma forma de pagamento cara”, destaca o executivo, que aponta como outro problema a informalidade de algumas companhias, que mexem apenas com dinheiro em papel, sem passar pelo sistema financeiro.

De forma geral, a atividade econômica de empresas e dos governos está crescendo ano a ano. A região da América Latina e Caribe é a que avança mais rápido, com alta de 19,4%, fechando 2011 com US$ 7,6 trilhões em pagamentos. Isso decorre da recuperação que apresentaram desde a crise de 2008.

Do total da América Latina, 51% são oriundos do Brasil, correspondentes a US$ 2,34 trilhões, e que apresentou crescimento de 24% entre 2010 e 2011. O México cresceu 12% no período, para uma participação de 16%, enquanto a Argentina aumentou o volume de gastos em 20%, para 7% de participação no total.

No Brasil, 40% dos pagamentos realizados correspondem a companhias de grande porte (acima de US$ 500 milhões de faturamento e mais de 250 empregados). Outros 23% são de empresas medianas e 32%, das de pequeno porte (até US$ 25 milhões em faturamento e até 50 funcionários). Outros 5% são do governo. “Nas pequenas e médias empresas ainda reina o uso de cheque e dinheiro tanto para pagamento quanto para cobranças, além das agências bancárias para realização de depósitos”, conta Rodriguez.

De acordo com ele, o crescimento econômico da região força as empresas a tornarem mais eficientes sua gestão de pagamentos, o que mostra um potencial para o mercado de meios eletrônicos nos próximos anos. Para 2013, o executivo acredita que o volume de pagamentos das empresas e governos na região deve continuar em crescimento.

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