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Banco espera duas grandes operações, mas acredita que pequenas terão vez também

Depois de um ano que pode ser considerado tímido no que se refere a estreias na bolsa, a expectativa do Credit Suisse é que, em 2013, haja retomada dessas operações. À frente da instituição, José Olympio Pereira espera que o número e o volume de aberturas de capital dobrem no ano que vem. “Em 2012, apenas quatro empresas estrearam na bolsa — BTG, Unicasa, Locamérica e Taesa — e levantaram US$ 3 bilhões, no pior desempenho desde 2005”, diz o executivo, que considera a operação em bolsa da Taesa como oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), ao contrário da da BM&FBovespa e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Isso não significa que será um ano maravilhoso. Principalmente se você levar em consideração que, neste ano, levantou-se no México US$ 6,5 bilhões”, acrescenta.

Das oito operações, Marcelo Kayath, líder da área de renda fixa e variável do Credit Suisse na América Latina, espera que duas sejam de grande porte. “Serão operações enormes que já serão visíveis no primeiro trimestre. Devem animar o mercado”, acredita. O executivo destaca que as companhias que estão no radar são dos setores de consumo e infraestrutura.

Para Pereira, a explicação para o número tímido de ofertas iniciais em 2012 é o fato de não terem aparecido histórias e preços condizentes. “O BTG é um exemplo de como história e preços certos têm mercado. Houve maior seletividade e ceticismo do investidor internacional.”

Mas não serão apenas as grandes que terão vez, em 2013. A expectativa é que as pequenas companhias também façam suas estreias, no ano que vem. “Para deslanchar esse mercado, falta uma ‘Natura’. A Unicasa e Locamérica fizeram IPO mas não tiveram muito sucesso.” Kayath aponta que as companhias de menor porte que devem ingressar na bolsa são de setores que não têm tanta evidência. Além disso, a expectativa é que os planos da Pague Menos e da Vix Logística sejam retomados.

Outras áreas

Apesar da queda no volume de operações na bolsa, a área de ações (equities) do Credit Suisse registrou ganho de participação de mercado. Quando considerada apenas a corretora do banco, a fatia passa a ser de 9,2% — o que já a coloca na liderança do mercado, de acordo com Emerson Leite, diretor de equities do Credit. Já se for somada a participação da Hedging-Griffo — cuja compra foi concluída neste ano — chega-se a 13%. “Foi um ano importante em termos de ganho de market share. Nossos concorrentes estão reduzindo os investimentos porque os custos são altos e esse mercado encolheu”, aponta Pereira.

Outras duas áreas que ganharam destaque foram a de fundos imobiliários e a de private banking. O motivo é a queda da taxa de juros que fez com que os investidores tivessem que realocar posições em nome de rentabilidade. André Freitas, diretor do Credit, afirma que houve um aumento de 50% no volume sob gestão dos fundos imobiliários do banco. Ao todo, são nove fundos, sendo que dois tem R$ 1 bilhão cada. “O mercado deve ter R$ 30 bilhões sob gestão”, calcula.

Já para Marco Abrahão, diretor de private banking, 2012 foi o melhor ano da história. Enquanto a média de mercado registra crescimento de 18%, a área do banco viu o volume saltar 38% para R$ 50 bilhões. “Eles estão alocando em fundos imobiliários e em multimercados. Para se ter ideia, o Fundo Global levantou US$ 1 bilhão em apenas três meses.”

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