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Moeda norte-americana fecha a R$ 2,1160 após oscilar entre entre a máxima de R$ 2,1260 e a mínima de R$ 2,1010

Reuters

O dólar fechou em leve queda ante o real pela segunda sessão consecutiva nesta terça-feira, após o Banco Central ter anunciado medida para baratear o crédito ao exportador brasileiro, o que deve favorecer a entrada de dólares no país.

A divisa, no entanto, manteve-se acima do nível de R$ 2,10 ao longo de toda a sessão, reduzindo a queda na parte da tarde, diante de uma forte demanda por dólares no final do ano, período em que há maiores remessas de lucros e dividendos de filiais brasileiras às suas matrizes no exterior.

Outra razão para a grande demanda por dólares é o fraco crescimento da atividade doméstica, que faz crescer a interpretação de que o governo vai favorecer um real mais desvalorizado para estimular as exportações.

A moeda norte-americana recuou 0,21%, encerrando a R$ 2,1160 na venda. Durante o dia, a moeda oscilou entre a máxima de R$ 2,1260, logo na abertura do pregão, e a mínima de R$ 2,1010.

"A conjuntura tem sido de câmbio mais para cima, há uma saída de recursos sazonal nesse período e procura por dólares", disse o estrategista-chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno.

Para prover liquidez ao mercado de câmbio e impedir uma alta muito rápida do dólar, o BC tem atuado com mais força no mercado desde o início da semana.

Nesta sessão, o banco anunciou medida que elava de 360 dias para 5 anos o prazo para a modalidade de pagamento antecipado de exportações que fica isento de taxação. As operações acima desse prazo continuam pagando alíquota de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), como operações normais de crédito.

O anúnciou ocorreu depois que a autoridade já tinha feito na segunda-feira dois leilões de swap cambial tradicional --operações que equivalem a venda de dólares no mercado futuro-- e dois leilões de venda de dólares conjugados com compra.

O próprio presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, afirmou no final de novembro que o BC poderia intervir no mercado de câmbio para dar liquidez no final do ano, além de reiterar que não existe banda formal ou informal para o dólar.

Operadores avaliam que, além de dar liquidez para o mercado, as ações do BC evitam distorções nas cotações e movimentos especulativos --evitando um impacto excessivo na inflação. Com as intervenções, o dólar já recuou 0,69% ante o real desde a quarta-feira.

CRESCIMENTO ECONÔMICO FRACO

Analistas também acreditam que o governo deve favorecer um real mais desvalorizado para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, principalmente depois que o crescimento econômico do terceiro trimestre veio muito abaixo das expectativas.

Dados da produção industrial brasileira divulgados nesta terça-feira reforçaram a preocupação com o ritmo da atividade, ao mostrar que a indústria está com dificuldade de manter uma trajetória consistente de alta.

"A tendência do dólar é de alta recentemente, mais pelos fundamentos econômicos e a preocupação do governo com o crescimento", reforçou o operador de câmbio de uma corretora em São Paulo, que prefere não ser identificado.

Apesar da queda das últimas duas sessões, o dólar ainda está em alta de 4,22% desde novembro. Desde fevereiro --quando o BC intensificou as intervenções para desvalorizar o real-- a moeda norte-americana acumula alta de 21,11%.

(Reportagem de Danielle Fonseca)

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