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Entidade anunciou aliança para troca de experiências e promoção de iniciativas de educação financeira

A Federação Iberoamericana de Bolsas (FIABl) anunciou ontem, em evento promovido pela BM&FBovespa, uma ação para troca de experiências e promoção de iniciativas de educação financeira entre as bolsas ibéricas, a “Declaração São Paulo”, assinada pelos associados. Este é o primeiro passo para pavimentar o acesso amplo e irrestrito dos investidores às bolsas nos países de língua portuguesa e espanhola. "Também queremos promover e realizar reuniões específicas, focadas em temas. Para integrar, é necessário conhecer os mercados com os quais trabalhamos", diz Elvira Maria Schamann, secretaria geral da FIAB.

Elvira cita os diferentes perfis de negociação entre um mercado e outro, apesar da proximidade e semelhanças. “No Brasil, ainda é grande a fatia de ações. Na Colômbia, a fatia de renda fixa e títulos corporativos é maior, o que pode complementar o mercado”.

Países da América Central já têm iniciativas de integração mais concretas do que a América Latina. Por aqui, a BM&FBovespa tem um acordo com a bolsa chilena para acessar inicialmente o mercado de derivativos, e há cerca de dois meses o México divulgou uma carta de intenção que manifesta sua vontade de participar do grupo. O país tem um mercado desenvolvido de fundos de índice (ETFs, em inglês), com nada menos do que 150 deles — este é um dos focos da bolsa brasileira para atrair o pequeno investidor.

Outra iniciativa, que está em estudo, é a união de institutos de educação financeira de países que compõem a associação. “Isso não suplantaria, mas reforçaria a atuação local dos institutos”, diz Elvira.

Alguma sinergia entre os mercados no segmento já acontece. É o caso do Desafio BM&FBovespa, programa de educação financeira voltado para estudantes do ensino médio, cuja ideia foi importada da bolsa de Quito, capital do Equador. Por outro lado, a bolsa equatoriana importou o modelo do programa da bolsa brasileira que consiste em uma unidade móvel que percorre cidades promovendo investimentos.

A tentativa de educar e atrair o investidor de varejo é importante em um momento que a bolsa brasileira discute maneiras de incentivar a listagem de empresas menores como tentativa de aumentar o número de companhias listadas, que se mantém estagnado e não atingiu a meta planejada para este ano. “A experiência internacional aponta que ofertas menores são adquiridas pelo investidor do varejo. Mas não temos essa cultura aqui. O mercado do Chile é mais avançado porque eles investiram cedo em educação financeira”, diz o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto.

No dia 14 de dezembro termina o período de sugestões para o grupo de trabalho que estuda incentivos. Edemir estima que, no início do ano que vem, já exista um diagnóstico para a questão. Sobre iniciativas de educação financeira, a bolsa pretende realinhar alguns projetos.

“O mercado de capitais precisa ser desenvolvido. Sem ele é difícil sustentar o crescimento que está sendo registrado nos países emergentes”, conclui Joan Hortalà, presidente da FIAB. Fazem parte da entidade Espanha, Portugal e países latinos entre eles México, Argentina, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Bolívia e Brasil.

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