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Percentual da população brasileira que investe no mercado de capitais não chega a 1%, contra 5% dos demais países emergentes

Com população quatro vezes maior, o Brasil tem pouco mais de metade de investidores pessoas físicas em Bolsa do que a Colômbia. São 600 mil investidores brasileiros contra 1,1 milhão de colombianos. O Chile tem os mesmos 600 mil investidores, mas com uma população bem menor – 16 milhões contra 194 milhões do Brasil. Esses foram alguns dos dados divulgados nesta segunda-feira em seminário da Federação Ibero-Americana de Bolsas (FIAB), em São Paulo.

No evento, cujo objetivo é promover e integrar as redes de educação financeiras regionais, representantes de bolsas de valores de países ibero-americanos explicaram seus projetos para atrair pessoas físicas à Bolsa. Segundo Elvira Maria Mercedes Schamann, secretária-geral da FIAB, é interessante para as bolsas atraírem esse perfil de investidor. “São pessoas mais estáveis e que não são tão suscetíveis às oscilações naturais do mercado”, afirma.

Apesar de baixo em comparação com os de seus pares, o número de pessoas físicas no Brasil saltou 80 mil para 600 mil desde 2002, explica Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa. Ainda assim, o percentual de pessoas físicas que investem em Bolsa não alcança 1% da população, contra 5% dos países emergentes, complementa Alcides Ferreira, diretor de comunicação e marketing da Bolsa. O evento desta segunda buscou discutir formas de estimular a participação dessas pessoas no mercado de capitais. “O seminário da FIAB é importante para trocar experiência com bolsas afiliadas e criar elementos para desenvolver as regras no mercado ibero-americano e integrar os mercados regionais”, afirmou Pinto.

Na Colômbia, que estabeleceu como meta alcançar 1,5 milhão de investidores pessoas físicas até 2015, o salto se deu com o IPO (oferta pública inicial de ações) da Ecopetrol, petrolífera estatal que colocou 5% de suas ações em Bolsa. “Essa oferta atraiu cerca de 450 mil novos investidores, e o desafio agora é manter esses investidores ativos e atuantes em bolsa”, afirma Adriana Cardenas Mesa, diretora de educação da Bolsa de Valores colombiana. Outra dificuldade, completa, é fazer com que essas pessoas diversifiquem seus portfólios e comprem ações de outras empresas.

Já na Argentina, o número de investidores pode assustar em um primeiro momento: dois milhões. No entanto, 70% deles são institucionais, enquanto os outros 30% seriam pessoas físicas. “Temos o desafio de restaurar a confiança dos investidores”, admite Nora Ramos, gerente técnica e de valores negociáveis da Bolsa de Comércio de Buenos Aires. Segundo ela, em 2001 o mercado argentino estava preparado e pronto para atrair esses investidores. Mas as reviravoltas políticas, com as restrições aos investidores estrangeiros, e a alta da inflação afugentaram essas pessoas.

Ramos afirma que o mercado argentino está no mesmo patamar que o brasileiro estava antes da estabilização do plano Real, quando a inflação era a maior do pós-Segunda Guerra, só perdendo para a do Congo. “O mercado de capitais brasileiro começou a renascer após a estabilização da moeda”, explica Ferreira, diretor da BM&FBovespa. Ele ressalta que a Bolsa adotou uma série de procedimentos para atrair os investidores, entre eles a criação do Novo Mercado e a qualificação das corretoras. “Se não tivéssemos feito isso, não estaríamos aqui. Caminhávamos para o esvaziamento do mercado, para a migração dos recursos para o exterior”, comenta.

Após conhecer as iniciativas de cada bolsa para a educação dos investidores, a Federação Ibero-Americana trabalhou em uma declaração que busca coordenar esses projetos e integrar as redes de institutos de educação financeira das Bolsas. A maioria das Bolsas tem programas parecidos, que passam por cursos presenciais e online, simuladores de investimento e educação voltada a crianças, adolescentes e jovens. Mas há projetos que estimulam os estudantes a colocarem em prática o conhecimento adquirido.

Desses, um dos mais destacados vem do Equador. O Junior Achievement local seleciona estudantes de 15 a 17 anos e os estimula a abrir uma empresa real, que poderá captar cerca de US$ 300 em um IPO de investidores – em geral, seus próprios pais. No programa, que dura de janeiro a maio, os alunos recebem dicas de como elaborar o modelo de negócios e de como fazer a liquidação da empresa, explica Monica Villagomez de Anderson, presidente da Bolsa de Valores de Quito. “Buscamos, dessa forma, impulsionar o empreendedorismo de jovens”, complementa.


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