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BB DTVM vai lançar veículo de investimento no próximo semestre, e Bram quer abrir seus fundos para o varejo

A gestora com o maior patrimônio líquido do Brasil quer se tornar referência em análise e gestão de ativos brasileiros também no exterior. A BB DTVM estuda a abertura de uma Societé d'investissement a capital variable (Sicav), em Luxemburgo, ou uma Undertakings for Collective Investment in Transferable Securities (Ucits), em Dublin. Independentemente do veículo escolhido, ele permitirá que investidores de varejo façam aportes no portfólio de fundos. "A expectativa é que isso seja uma realidade já no primeiro semestre do ano que vem", afirma Carlos Takahashi, presidente da gestora, que desembarcou, na Europa, há dois anos, quando constituiu um veículo denominado Qualifying Investor Fund (QIF) em Dublin, na Irlanda - que permite que investidores qualificados apliquem em seu portfólio de fundos. A casa também possui um veículo nas Ilhas Cayman, que funciona como porta de entrada para investidores de private banking de Miami e Paris.

Segundo o executivo, a ideia de atingir o varejo surgiu por causa da demanda dos clientes por ativos brasileiros e por causa da estratégia de expansão da gestora. “Queremos aumentar a distribuição lá fora. Sabemos que, para conseguirmos competitividade no mercado europeu e asiático, é necessário ter uma Ucits ou Sicav”, diz, sem detalhar projeções. A diferença entre os dois é a legislação ao qual estão submetidos.

De acordo com Takahashi, os investidores europeus estão habituados com aplicações de longo prazo, no entanto, buscam rendimentos no curto prazo. “Isso significa que, na renda variável, as ações de empresas boas pagadoras de dividendos e os fundos imobiliários de renda se tornaram atraentes. No entanto, eles não deixaram de se interessar pela renda fixa - agora estão de olho em títulos atrelados à inflação, como NTN-Bs, e em emissão de crédito privado e produtos de infraestrutura”, afirma.

Os clientes de varejo também estão na mira na gestora do Bradesco. A Bram lançou um Sicav, em 2009, e mais recentemente colocou no mercado quatro fundos: dois de renda fixa (Bradesco Global Funds Brazilian Global Bonds e Bradesco Global Funds Short Duration) e dois de renda variável (Bradesco Global Funds Brazilian Equities Megatrends e Bradesco Global Funds Brazilian Equities Mid Small Caps). “Serão os mesmos veículos, mas teremos plataformas para distribuir para pessoas físicas”, explica Joaquim Levy, presidente da Bram. Ao todo, o Sicav soma US$ 250 milhões e hoje tem como cotistas investidores institucionais e family offices. “Os retornos são interessantes, principalmente, para o investidor estrangeiro que não entra no país por causa do IOF”, acrescenta. “Ainda está muito incipiente, mas pretendemos vender esses produtos também na Ásia. Estamos pensando em fazer cota em iene para os clientes japoneses”, afirma.

Amancio Pérez, gerente de vendas sênior da Pictet Asset Management para Espanha, Portugal e Brasil, afirma que tem conversas adiantadas com gestoras brasileiras para ajudar a estruturar Sicavs, em Luxemburgo. “Estamos negociando com gestores e grandes instituições. A expectativa é que, no ano que vem, os veículos estejam funcionando. Algumas casas querem aproveitar o momento no exterior para oferecer ativos brasileiros. A Sicav é um passaporte muito aceito na Europa e na Ásia. É muito mais vantajoso ter um veículo do que 10 que não são aceitos”, afirma Pérez.

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