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Segundo área de gestão, ações de empresas menos vulneráveis à regulação do governo devem se sair melhor, ao contrário de prestadoras de serviços públicos e estatais

Reuters

Ações de empresas menos vulneráveis à regulação do governo devem ter um desempenho superior na bolsa em 2013, ao contrário de prestadoras de serviços públicos e de empresas do governo, prevê a área de gestão de recursos do Itaú.

Ações de empresas industriais ou ligadas a consumo tendem a se beneficiar do impacto da redução de juros e de impostos para avivar a economia doméstica, disse o diretor-executivo da Itaú Asset, Gustavo Murgel.

Em contraste, papéis de setores em que a atuação o governo é vista como menos benigna devem ter performance mais fraca, segundo o diretor de gestão de recursos, Paulo Corchaki. Os lucros de empresas dos setores de energia elétrica, financeiro e de telecomunicações devem ser mais fracos do que em outros países emergentes, disseram.

"Essa sensação (de intervencionismo estatal) está no preço... e deve continuar no preço no ano que vem", disse Corchaki nesta segunda-feira.

No acumulado do ano até esta segunda-feira, o índice da Bovespa para o setor de consumo tem valorização de 35,6%, a reboque de medidas governamentais como redução dos juros, de impostos e da maior oferta de crédito.

Em contrapartida, o índice do setor elétrico teve queda de 17,9%, influenciado pelas pesadas perdas das ações de empresas do setor após o governo ter proposto a detentoras de concessões vincendas entre 2015 e 2017 a renovação antecipada, desde que estas aceitem receber indenizações menores e cobrar tarifas inferiores a partir do ano que vem.

O índice de prestadoras de serviços públicos tem desvalorização de 10% neste ano.

"Eu não diria que a intervenção do governo é exagerada, mas nossos clientes querem entender até onde isso pode ir", disse Murgel.

PERSPECTIVAS

Para a Itaú Asset, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 4,5% em 2013. E, com um cenário de juro básico em patamar historicamente baixo no país, a tendência é de os investidores gradualmente mudem para ativos mais arriscados, em busca de maior rentabilidade.

Segundo os executivos, isso também deve forçar os gestores de fundos a ter uma base mais diversificada de instrumentos financeiros lastreados em dívida corporativa e fundos negociados em bolsa.

Por outro lado, sinais mistos sobre a recuperação da economia global e da crise da dívida na Europa podem seguir pesando, mantendo os investidores ariscos a tomar risco, disseram os executivos.

Apesar da percepção do mercado de maior risco de intervenção, a Itaú Asset, que tem cerca de 300 bilhões de reais sob gestão, prevê que os lucros das empresas listadas no Brasil devem crescer 18% no ano que vem, ante 10% neste ano.

Por Aluísio Alves e Guillermo Parra-Bernal


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