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As subsidiárias que estão no país enviaram US$ 17,7 bi para suas matrizes em dez meses deste ano

O enfraquecimento da economia brasileira, expandindo em torno de 1,5% neste ano na projeção do próprio governo, reduziu fortemente a remessa de lucros e dividendos de subsidiárias às suas matrizes no exterior. De acordo com dados do Banco Central, entre janeiro e outubro deste ano, a saída de renda pelo investimento produtivo totalizou US$ 17,70 bilhões ante US$ 29,22 bilhões apurados no mesmo período anterior.

“Isso estava consistente com uma economia de dinamismo menor, que afetou a lucratividade das empresas, e uma taxa de câmbio que se desvalorizou, puxando o resultado para baixo”, disse Fernando Rocha, chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC. “Nos últimos três ou quatro meses não houve uma depreciação tão grande, mas segundo semestre do ano passado um dólar custava R$ 1,67 e passou para R$ 2,03.”

Muito embora a estimativa seja de que o volume de remessas chegue a dezembro bem aquém do que o registrado no ano passado, o mês de outubro já apresenta sinais de recuperação. Nesse período houve um salto das remessas, que passaram de US$ 1,36 bilhão, em igual etapa de 2011, para US$ 2,02 bilhões.

Na avaliação de Rocha, há uma inflexão desse fluxo em curso, pois os envios foram suficientes para inverter a trajetória do acumulado em 12 meses. A projeção poderá ser confirmada em novembro. Pelos dados parciais até o último dia 20 as remessas alcançaram US$ 1 bilhão. “Mas poderá atingir um volume maior do que o de outubro e ser um dos maiores do ano porque elas se concentram no final do mês”, afirmou, atribuindo o movimento ao reaquecimento da economia e o consequente aumento da lucratividade das companhias.

O índice de atividade divulgado pelo Banco Central mostra que no terceiro trimestre houve expansão de 1,2% o que, de forma anualizada, mostra crescimento a uma taxa de 4,7%.

Outros dados do balanço de pagamentos também foram afetados por essa recuperação. Houve leve aumento das importações no décimo mês do ano ante igual etapa do ano passado (de US$ 19,78 bilhões para US$ 20,10 bilhões). Além disso, houve recorde mensal no envio de recursos para pagamento de serviços prestados no exterior, como aluguel de equipamentos, transportes. Depois de alguns meses recuando os gastos de brasileiros em viagens internacionais (leia matéria abaixo) se elevaram.

Com isso, o déficit em transações correntes somou US$ 5,43 bilhões — equivalente a 2,09% do Produto Interno Bruto (PIB) — foi o maior para os meses de outubro desde 1947. De acordo com Rocha, em novembro, o resultado deve ser negativo em US$ 6 bilhões, o que estará de acordo com as estimativas do BC para o resultado no ano, de US$ 53 bilhões. “A perspectiva para o próximo ano, com a retomada efetiva da atividade, é que esse volume se amplie. No entanto, como o PIB expandirá, a proporção não deve se alterar muito.”

Rocha lembra que o déficit em conta corrente segue sendo coberto com folga pela entrada de Investimento Estrangeiro Direto (IED). Em outubro, ingressaram no país em direção ao setor produtivo US$ 7,7 bilhões, um recorde para o mês. No acumulado do ano, o ingresso desse tipo de recurso já chega a US$ 55,3 bilhões e mantém nível similar ao apurado em 2011.

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