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Alta volatilidade reflete natureza incerta dos respectivos negócios , e atrai investidor atrás de fortes emoções

Brasil Econômico

As incertezas futuras que recaem sobre as "empresas X", de Eike Batista, assim como sobre construtoras, incorporadoras e fabricantes de produtos considerados primários refletem no movimento de sobe e desce das suas ações na BM&FBovespa. Recentemente, OGX, Gafisa, B2W, Rossi Residencial, PDG Realty, MMX, Usiminas — preferencias e ordinárias —, Brookfield e Gol são as ações mais voláteis este ano, segundo levantamento realizado pelo Brasil Econômico, com dados da consultoria Economatica.

“A variabilidade de resultados financeiros de trimestre para trimestre e as mudanças repentinas de rumo levaram os investidores a comprar e vender essas ações de forma mais rápida se comparada às demais empresas cujo fluxo de caixa é estável. Por isso acabam sendo mais voláteis”, explica Ricardo Torres, professor de finanças da BBS-Business School.

E, ao que tudo indica, esse movimento deve continuar nos próximos meses. “Nada sugere que as dúvidas que rondam grande parte dessas empresas vão se dissipar em um curto espaço de tempo. Por isso acredito esses ativos devem mostrar oscilações expressivas, tanto para cima quanto para baixo, nos próximos meses”, completa o especialista.

As "empresas X", do megaempresário Eike Batista, ainda são pré-operacionais e não entregaram os resultados esperados pelos investidores. “Além disso, ainda não se sabe como essas empresas enfrentarão certos desafios, tais como financiamento de projetos e preços de produtos comercializados”, cita William Alves, analista da XP Investimentos.

Já as construtoras e incorporadoras são, por natureza, voláteis. Há um descasamento entre o período que investem — na aquisição de terrenos e construção do empreendimento — e o período em que começa a receber os recursos dos proprietários dos imóveis adquiridos. “Para agravar ainda mais este cenário, as incertezas quanto ao desempenho econômico mundial levam os interessados a reavaliar seus planos de aquisição de imóveis ou mesmo desistir do bem”, pondera um analista, que ainda lembra que essas companhias também têm revelado inconstância nos resultados graça à elevação dos custos. “Esse último ponto faz com que a empresa precise de mais capital do que havia projetado”, completa o analista.

A Usiminas, especificamente, está ligada à fabricação de produtos considerados primários. “Nesse sentido, ele tende a sofrer à medida que a demanda pelo insumo pela China arrefece. Ela também sofre com a menor demanda por construtoras brasileiras”, lembra Alves, da XP Investimentos.

Poucas mudanças

Se avaliado um período mais longo, cinco anos, as ações mais voláteis praticamente se repetem. Entre os 10 papéis que mais oscilaram nesse período só não figuraram OGX — que abriu capital em junho de 2008 —, Usiminas e Brookfield. Em seu lugares estavam a produtora de commodities agrícolas V-Agro, a construtora MRV e o frigorífico JBS.

Ainda assim, na opinião do professor de finanças do Insper, Ricardo Almeida, as varejistas devem oscilar mais o ano que vem com a perspectiva de retomada da alta da taxa básica de juros (Selic). “A alta dos juros freia o consumo e, consequentemente, impacta os resultados dessas empresas”, diz.

As empresas do setor financeiro também são candidatas a oscilar mais em 2013. “A economia mundial e brasileira está ficando estranha. nesse contexto, esses papéis podem oscilar mais como reflexo de um possível agravamento da crise europeia”, afirma Torres, da BBS-Business School.

A despeito da oscilação, os negócios das companhias não são afetados. “A única dificuldade que a empresa pode enfrentar é em uma eventual captação de recursos por meio da emissão de ações. O apetite do investidor recua à medida que a oscilação aumenta”, acredita o especialista.

Um gestor de recursos ressalta que a volatilidade observada em uma ação é consequência dos resultados financeiros aquém do esperado ou do excesso de alavancagem da companhia e não a causa.

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