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Crédito privado e títulos públicos que seguem a inflação são as principais apostas destas carteiras

A previdência privada caiu no gosto dos milionários, que investiram R$ 6,3 bilhões na modalidade entre janeiro e setembro, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). No total, os endinheirados tem R$ 29,6 bilhões nesses fundos. De olho no movimento dos aplicadores e atentos à pressão do governo para reduzir a indexação de fundos ao juro básico, bancos e gestoras estão lançando produtos diversificados para o público, com foco em inflação e crédito privado.

A previdência privada se tornou alternativa interessante pela queda do juro, quando os investidores saíram de fundos de renda fixa, que tiveram retirada de R$ 1,3 bilhão de janeiro a setembro a R$ 167,3 bilhões, para diversificar. “A previdência é interessante porque após dez anos tem alíquota de Imposto de Renda de 10% e ainda possui caráter de planejamento sucessório”, afirma Maria Eugênia Lopez, diretora de Private Banking do Santander, que espera avanço de 160% no investimento de clientes private (com mais de R$ 3 milhões para aplicar, no critério da instituição) em previdência neste ano.

No Bradesco, o crescimento de janeiro a setembro foi de 42,8% na aplicação de milionário em previdência e, para aproveitar o momento, o banco acaba de lançar dois VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre), um de renda fixa que acompanha a variação do índice IMA-B, composto por títulos públicos atrelados à inflação oficial, as chamadas NTN-Bs (Nota do Tesouro Nacional série B); e outro em crédito privado, para aplicar em debêntures, letras financeiras e notas promissórias.

“Essas são as duas grandes tendências de investimento, uma vez que a inflação tem sido permanentemente alta, com tendência de permanecer na casa de 5,5%, e temos mais títulos de crédito privado no mercado. Então lançamos esses produtos para dar benefícios aos clientes de previdência”, pondera João Albino Winkelmann, diretor do departamento Bradesco Private. O fundo atrelado à inflação é para todos os clientes do banco, enquanto o de crédito privado fica, em um primeiro momento, apenas com clientes private.

O HSBC também deve seguir o mesmo caminho e planeja, para 2013, lançar um fundo com perfil híbrido, balanceando ativos atrelados à inflação e de crédito privado. “No segmento private, o plano mais contratado é o VGBL e, como consequência do cenário de taxas de juros mais baixas, os clientes têm aceitado um grau de risco maior no longo prazo. Notamos um crescimento na opção pelos fundos de perfil mais arrojado”, diz Marcelo Muradian, diretor do HSBC Private Bank.

De acordo com ele, os novos fundos seguem a vontade do governo de reduzir a indexação do mercado de previdência privada aberta ao CDI. O que se estuda é determinar um duration mínimo para cada carteira, no intuito de alongar o prazo. A FenaPrevi (federação do setor) está de acordo com a proposta, que traz a oportunidade de desenvolvimento de novos ativos para “investidores qualificados” e defende enquadramento gradual das regras.

A SulAmérica Investimentos também está atenta à tendência de milionários aplicarem em previdência. “É um segmento tão interessante que lançamos no começo de outubro mais dois fundos, um voltado para aplicações atreladas à inflação e outro com objetivo de ter atuação mais ativa em renda variável, sem seguir índices”, diz Carolina de Molla, diretora técnica. Na gestora, o cliente de alta renda é considerado aquele com mais de R$ 200 mil para aplicar.

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