Tamanho do texto

Maior demanda por qualificação e programa de incentivo do governo fazem empresas se destacar em neste ano

As ações do setor de educação, mais especificamente as empresas de ensino superior, são um ponto fora da curva na bolsa neste ano. A alta dos papéis da Estácio Participações, Kroton e Anhanguera é expressiva ao passo que o principal índice da Bovespa tinha perda de 2,38% até o último pregão. A expectativa é que o bom desempenho continue dado a busca por maior qualificação no país e também em incentivos do governo, como o programa Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

A maior alta é a da Kroton, com 131,10%, e lucro no terceiro trimestre de R$ 82,1 milhões, quase quatro vezes o registrado em igual período de 2011.

Mesmo com o salto gigantesco já dado, o sentimento da companhia é de otimismo para o futuro, incluindo aí novas aquisições. O nível de endividamento, de menos de duas vezes o Ebitda, é considerado “confortável”. “Analisamos novas aquisições e temos condições de fazer isso já no ano que vem”, afirma o diretor de relações com investidores, Carlos Lazar.

E no meio dessas análises a empresa prepara ainda a migração para o Novo Mercado, nível de maior governança da Bovespa. Com a migração, que incluiu entre outras coisas a conversão das ações preferenciais em ordinárias, o executivo acredita que a visibilidade das ações da Kroton ficará ainda maior. “Quando você entra no Novo Mercado entra no radar de novos investidores também”, acredita, acrescentando que esse movimento também será beneficiado pela entrada da ação da companhia no MSCI Global Standard, índice do Morgan Stanlay que é referência para os gestores de fundos de investimento (leia mais na reportagem ao lado).

De acordo com Lazar, o trabalho feito pela Kroton nos últimos trimestres culminou no aumento do número de alunos matriculados e assim, no crescimento das margens — a margem Ebitda no terceiro trimestre foi de 30,1%, 13,6 pontos percentuais acima do registrado entre julho e setembro de 2011.

O executivo admite ainda que o Fies tem ajudado nessa estratégia de expansão. Da base de 128,1 mil alunos matriculados nos cursos de graduação presencial das instituições de ensino da Kroton, 48,4% estão vinculados ao Fies, ante fatia de 27,6% um ano antes. “É um programa importante para o país porque temos um problema de mão de obra preocupante, mas o Fies tem também um efeito positivo na retenção de alunos, que muitas vezes se desligam do curso por motivos financeiros”, explica.

A Kroton não é a única que já vê resultados sólidos do aumento de alunos com Fies. A Estácio de Sá Participações já identificou o mesmo reflexo positivo em seus números.

Em teleconferência a analistas, o diretor presidente da empresa, Rogério Frota Melzi, afirma que o Fies tem ajudado a manter os alunos nos bancos escolares. “Já é possível afirmar uma melhora significa nas taxas de retenção e renovação de matrículas entre cinco e oito pontos percentuais”, afirma.

A Estácio tem 213,9 mil alunos matriculados nos cursos presenciais de graduação e 18,1% desse total faz parte do Fies. No terceiro trimestre de 2011, essa participação era de praticamente um terço, 6,6%.

Melzi explicou que quando a companhia aderiu ao Fies, o primeiro movimento foi o de inscrição de alunos que não estavam com problemas de inadimplência. Depois, a companhia passou a indicar o programa do governo para aqueles alunos que não conseguiam honrar com as mensalidades. A preocupação em dar o direcionamento correto ao Fies é justificada pelo impacto no fluxo de caixa. Embora seja um dinheiro certo, é um recurso que demora mais para entrar na conta da instituição do que o pagamento tradicional das mensalidades.

O Fies, que financia de 50% a 100% dos custos das mensalidades, existe desde 1999, mas foi em 2010, quando passou a ser operado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em substituição à Caixa, que alcançou maior crescimento. Um dos motivos foi a redução da taxa de juros, para 3,4% ao ano, e a inscrição ao Fies em qualquer época do ano.

Dados do fundo mostram que cerca de 300 mil novos contratos foram assinados em 2012 até o final de setembro — a Caixa, de 1999 a 2009 registrou 569,1 mil contratos. <EM>

Outra instituição que tem se beneficiado dessa expansão do Fies é a Anhanguera, com 373,4 mil alunos na graduação, 16,1% fazem parte do programa do governo federal. Só são aceitos estudantes de cursos com nota mínima de 3 na escala do Ministério da Educação - que vai até 5.

Leia mais notícias de economia, política e negócios no jornal Brasil Econômico

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.