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Gestores compraram 56% a mais do que há um ano, mas demanda global recuou 11%

A demanda mundial por ouro no terceiro trimestre, terminado em 30 de setembro último, atingiu 1.085 toneladas, o equivalente a US$ 57,6 bilhões. O volume físico representa um aumento de 10% sobre o trimestre anterior, e uma queda de 11% em relação ao recorde registrado um ano antes.

As informações são do relatório Gold Demand Trend, divulgado pelo World Gold Council na sexta-feira passada.

A queda poderia ter sido maior, mas foi amortecida pelo grande interesse dos fundos de índices, também conhecidos como Exchange Traded Funds, ou ETFs, que bateram recorde com alta de 56%. Já investidores que compram barras e moedas se desfizeram do metal.

O comportamento oposto nos segmentos de moedas e barras e o de fundos ETFs mostra, segundo o relatório, uma falta de consenso entre investidores. Enquanto os primeiros preferiram aproveitar a alta recente para vender e embolsar os ganhos, os fundos continuam apostando na valorização e segurança do ouro.

Na média, a demanda dos investidores recuou 16% em um ano, até 30 de setembro último. A compra de barras e moedas caiu 30% no período, passando de 422,1 toneladas para 293,9 toneladas (ou 32% em dólares, de US$ 23,1 bilhões para US$ 19,6 bilhões) enquanto a demanda por parte dos ETFs aumentou 56%, de 87,4 toneladas para 136 toneladas (51% em dólares, de 4,8 bilhões para US$ 7,2 bilhões).

Os investidores são os responsáveis por 40% da demanda mundial total, sendo que a maioria (27%) compra moedas e barras e 13% aplica por meio das carteiras de ETFs.

Auge

O auge da demanda dos ETFs por ouro aconteceu em meados de agosto, quando investidores globais alimentavam fortes expectativas de novas medidas de afrouxamento monetário (quantitative easing) por parte dos bancos centrais da Europa e Estados Unidos em suas respectivas reuniões em setembro.

O relatório lembra que o recorde de 422,1 toneladas em barras e moedas adquiridas no terceiro trimestre de 2011 foi estimulada por fortes razões que tradicionalmente impulsionam estoques de ouro: a crise da Europa, rebaixamento da dívida dos Estados Unidos, desempenho pífio do mercado acionário e enfraquecimento do dólar.

No trimestre passado, no entanto, os investidores se mostraram mais hesitantes e, por isso, se movimentaram menos; além disso, a inflação desacelerou em vários países.

Geograficamente, a Alemanha contribuiu com 50% da queda da demanda por moedas e barras, enquanto na Índia houve aumento de 12%.

“Considerando os últimos cinco anos, porém, a demanda de investidores no terceiro trimestre ainda pode ser considerada elevada: está 13% acima da média verificada desde 2007”, diz o relatório. O World Council acredita na manutenção da procura dos investidores pelo metal no médio prazo.

A exceção está nos EUA, onde a demanda caiu à metade da média dos últimos cinco anos, atingindo 10,5 toneladas no terceiro trimestre.

Bancos centrais

Os EUA, contudo, continuam com 77% das suas reservas em ouro. A demanda por parte dos bancos centrais foi de 97,6 toneladas, ou 9% do total no período - uma queda de 31% (ou de 33%, considerando os valores financeiros: US$ 7,7 bilhões para US$ 5,2 bilhões em um ano).

O relatório cita a compra informada pelo BC brasileiro no terceiro trimestre, que acrescentou 1,7 tonelada às reservas, totalizando 35,3 toneladas. "A última vez que o Brasil havia reportado uma aquisição do metal foi em 2005", diz o relatório. Na América Latina, também o Paraguai anunciou aquisição, e de grande porte: 7,5 toneladas. Antes, suas reservas não chegavam a uma tonelada.

Alguns países realizaram vendas no período, entre eles o México e Rússia; o volume registrado no último ano foi de 5,9 toneladas, o mais baixo em três anos.

O saldo entre compras e vendas dos bancos centrais continuou positivo, mas em nível abaixo do verificado no terceiro trimestre de 2011.

A diversificação das reservas continuará como principal motor da demanda por ouro por parte dos bancos centrais e novas compras em volume equivalente ao observado no terceiro trimestre deste ano devem continuar a ocorrer no quatro trimestre, fazendo do setor um dos mais sólidos pilares da demanda por ouro daqui para a frente, segundo o relatório.

A demanda por parte dos setores de joalheria e tecnologia mostrou ligeiro declínio, de 2% e 6%, respectivamente, “refletindo turbulências e os altos níveis de preços absolutos”.

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