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Questões fiscais dos EUA e da Grécia têm trazido maior aversão ao risco nos mercados

O dólar fechou em alta ante o real pela quarta sessão consecutiva nesta segunda-feira, chegando ao maior nível em mais de quatro meses e de volta ao patamar de R$ 2,05, com clima ainda de cautela no cenário externo e baixo volume de negócios.

A moeda norte-americana avançou 0,21%, encerrando a R$ 2,0515 na venda. Trata-se da maior cotação desde o dia 28 de junho, quanto fechou a R$ 2,0762, e a primeira vez que voltou nível de fechamento de R$ 2,05 desde o dia 2 de agosto, quando ficou em a R$ 2,0507.

Segundo dados da BM&F, o volume negociado foi de US$ 1,056 bilhão nesta sessão, abaixo dos cerca de US$ 2 bilhões vistos nos últimos dias.

As questões fiscais dos Estados Unidos e da Grécia têm trazido maior aversão ao risco nos mercados e pode continuar a pressionar o dólar para cima nos próximos dias.

A recente elevação da moeda também deixa o mercado em alerta sobre a possibilidade de o Banco Central voltar a atuar vendendo dólares, mas na avaliação de operadores, isso só aconteceria no caso de uma alta mais brusca da moeda ou próximo do patamar de 2,10 reais.

"Lá fora, a Grécia já conseguiu aprovar medidas de austeridade e deve obter um prazo maior para atingir suas metas, mas a crise não vai acabar agora", disse o superintendente de câmbio da Intercam Corretora, Jaime Ferreira, acrescentando que a situação fiscal nos Estados Unidos também pesa.

Apesar da expectativa de que a Grécia receba dois anos extras para alcançar suas metas de superávit orçamentário, o país não deve ter a próxima parcela de ajuda internacional. Ministros de finanças da zona do euro estão discutindo a questão em reunião em Bruxelas nesta segunda-feira.

Nos EUA, por sua vez, o Congresso do país precisa entrar em acordo para evitar 600 bilhões de dólares em aumentos de impostos e cortes de gastos federais previsto para ocorrer no começo do ano que vem, o chamado abismo fiscal.

Além do cenário externo, Ferreira ainda destacou o fato da semana ter poucos dias úteis, com feriado da Proclamação da República no Brasil na quinta-feira, o que faz com investidores prefiram não arriscar ou mudar de posições. E, nesta segunda-feira, foi feriado nos Estados Unidos, com o Dia dos Veteranos, que também ajudou a reduzir a liquidez.

Mais uma pressão de alta para o dólar é o fluxo cambial, que tem sido negativo e pode continuar, já que no final do ano é comum uma maior saída de dólares de países emergentes, com filiais mandando remessas para suas matrizes no exterior.

Entre os dias 22 e 26 de outubro, por exemplo, o fluxo cambial ficou negativo em US$ 2,333 bilhões, levando o acumulado do mês passado a um déficit de US$ 748 milhões.

ATUAÇÃO DO BC

Diante dessa elevação da moeda, o mercado fica de olho em uma possível atuação do BC, para evitar altas excessivas. A última vez em que a autoridade monetária fez um leilão de swap cambial tradicional --operação que equivale a venda de dólares no mercado futuro-- foi no mês de junho, quando a moeda chegou a bater R$ 2,10.

Com as atuações do BC na época, o dólar voltou a cair, chegando no começo de julho a fechar abaixo de R$ 2. Diante disso, o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, afirmou que o dólar abaixo de R$ 2 não era bom para a indústria, num recado claro que as autoridades iriam agir para garantir a moeda norte-americana acima desse nível.

Essa vigilância reduziu drasticamente a volatilidade e o volume do mercado de câmbio recentemente, deixando o dólar próximo de R$ 2,02 e R$ 2,03 por vários meses.

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