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Se Ambev continuar na tendência de alta, como preveem os analistas e Petrobras perder valor como neste ano, cervejaria ultrapassará petroleira em valor de mercado em 2013

A boa fase para a Ambev, que viu seu valor de mercado subir 23,2%, para R$ 228,61 bilhões neste ano, parece estar longe do fim. Se seu desempenho na bolsa continuar no mesmo ritmo, em 5 de julho estará valendo R$ 260,60 bilhões, segundo cálculos do BRASIL ECONÔMICO. Se, da mesma forma, a Petrobras mantiver o ritmo de queda verificado neste ano, a companhia chegaria na mesma data valendo R$ 260,40 bilhões, cedendo a liderança na bolsa à Ambev. A empresa, que era a quinta maior em 2007, com R$ 78,8 bilhões em valor de mercado, tirou o segundo lugar da Vale neste ano.

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As ações da Ambev fecharam sexta-feira a R$ 81,27. Em relatório divulgado também na sexta, os analistas Lauren Torres e James Watson, da HSBC Securities nos Estados Unidos, preveem que o preço deve terminar 2013 em R$ 90 — antes da divulgação do balanço da empresa, a previsão era menor, de R$ 86. Já a Coinvalores fixou preço alvo de R$ 92. Na primeira hipótese (e no caso de a Petrobras continuar caindo no mesmo ritmo nos próximos 14 meses), a Ambev passaria a ser a maior da bolsa em 31 de dezembro do ano que vem, valendo R$ 254,80 bilhões.

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“A Ambev perdeu participação no mercado de cerveja do Brasil, em virtude de suas iniciativas de aumento de preços, mas registrou melhoria nas margens e está em boa posição para crescer em 2013”, disseram os analistas do HSBC.

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Passando ou não a Petrobras, a Ambev tem tudo para continuar se valorizando nos próximos meses, segundo analistas. Além do aquecido mercado doméstico de consumo de bebidas, a empresa exibe resultados estáveis e melhora contínua da rentabilidade, diz Cauê de Campos Pinheiro, analista da SLW Corretora. “É difícil para os concorrentes ganharem mercado”, acredita. “A Petrobras, ao contrário, não vem entregando os resultados esperados.”

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O fato é que as companhias vivem momentos diferentes. A ação da Ambev está próxima a sua máxima histórica — R$ 85,50 registrados em 18 de outubro deste ano —, enquanto que a Petrobras está longe dessa marca. “Com o tempo, os investidores podem retomar a confiança na Petrobras e as ações podem reagir”, diz Pinheiro.

Sandra Peres, analista da Coinvalores, lembra que, dado o cenário macroeconômico de renda crescente e ascensão das classes menos favorecidas, a Ambev tem conseguido vender produtos de maior valor agregado — segmento conhecidos como premium. “Seja por motivos externos, seja por méritos próprios, a Ambev mostra que tem acertado em sua estratégia”, opina. A decisão do governo brasileiro de adiar o aumento do imposto sobre a cerveja de outubro deste ano para abril de 2013 deve refletir em forte crescimento de vendas no quarto trimestre, visto que não haverá elevação de preço ao consumidor final logo na época de maior consumo de bebidas. “A receita líquida da Ambev no mercado brasileiro deve apresentar expressiva alta nesse final de ano”, prevê.

Outros fatores que devem manter a Ambev no atual patamar é a Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíada de 2016. A venda de produtos premium também deve ajudar nos resultados da empresa, isso se mantidas as perspectivas de aumento de emprego e renda. Mas, dada a forte alta neste ano, a analista da Coinvalores sugere manutenção para os papéis.

Atualmente, a Ambev é líder no ranking de cervejas na América Latina, com Antarctica, Brahma, Bohemia, Skol, Original, Quilmes e Stella Artois

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