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Segundo analista, muitas das medidas para aumentar a competitividade, entre elas a redução da Selic, são populistas e assustaram o investidor, principalmente o estrangeiro

Agência Estado

Um dos setores mais atingidos pelo "ativismo" do governo Dilma Rousseff é o bancário. No pronunciamento televisivo veiculado na véspera do Dia do Trabalho, a presidente disse ser "inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo". Foi a senha para que a maior parte das ações do setor começasse a cair ou permanecesse estacionada.

"O governo disparou sua metralhadora contra vários setores da economia com o objetivo principal de aumentar a competitividade da indústria", afirmou o analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi. "Muitas dessas medidas são populistas e assustaram o investidor, principalmente o estrangeiro." No caso do setor bancário, Galdi avalia que mudanças estruturais estavam mesmo em curso, mas o governo as catalisou ao pressionar pelo aumento da competição do setor - por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

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As mudanças estruturais a que se refere Galdi dizem respeito à redução da taxa básica de juros (Selic) para níveis historicamente baixos. Com o custo do dinheiro menor, é natural que haja um aumento da demanda por crédito e, por tabela, da concorrência no sistema financeiro. "O problema é que a rapidez com que tudo foi feito criou um mal-estar nos investidores." O analista de instituições financeiras da Lopes Filho Corretora, João Augusto Frota Salles, concorda. "As mudanças ocorreriam de qualquer forma, mas foram muito aceleradas", disse.

"Se os bancos tivessem tido mais tempo para se adaptar, poderiam se adequar melhor à queda das margens (decorrente dos juros mais baixos). Em 2012, o nível de provisões para perdas cresceu muito por causa da inadimplência mais elevada". A conjunção desses dois fatores, segundo Salles, levou a uma queda dos níveis de rentabilidade e, em consequência, dos preços das ações. "A principal explicação para a desvalorização dos papéis é a ingerência do governo no setor", disse.

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"Ainda que não possamos desprezar o próprio mau humor do mercado em meio à crise global", observou. Procurados, os grandes bancos não quiseram se pronunciar. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também não comentou. Executivos do setor afirmam que os grandes bancos vão manter níveis de rentabilidade sobre o patrimônio líquido entre 15% e 20%. Para um deles, a chave é o oferecimento de novos produtos. "É nisso que vamos apostar daqui para a frente." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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