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Depois de um ano recorrendo a IPOs, 78% dos gestores globais podem vender ativos no mercado secundário

A volatilidade das bolsas levou os fundos de private equity a reverem a estratégia de saída das companhias investidas para os próximos 12 meses. Se 2012 foi o ano das ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) no mundo, a expectativa é que, em 2013, os fundos vendam os ativos para outros veículos — o chamado mercado secundário.

Essa é a conclusão de uma pesquisa realizada pela Ernst & Young com 100 gestores globais e obtida com exclusividade pelo BRASIL ECONÔMICO. Segundo o levantamento, 43% dos investidores de private equity pretendem antecipar a venda de ativos, enquanto 78% dos entrevistados acreditam que as saídas pelo mercado secundário vão apresentar um aumento significativo no ano que vem.

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Philip Bass, líder global de private equity da Ernst & Young, explica que os gestores estão em busca de alternativas para fazer as saídas. "De acordo com a pesquisa, 43% dos investidores pretendem vender mais ativos nos próximos 12 meses. Isso se dá por causa do período de investimento nas companhias, da aprovação da operação e também da busca por potenciais compradores. Os gestores estão mais otimistas", afirma.

Um dado que comprova isso é o fato de que 75% dos gestores esperarem que a captação aumente ou continue no mesmo ritmo em 2013, apesar do ambiente econômico. Os destinos da atividade de investimento são os países emergentes da Ásia, China, Estados Unidos, Canadá e Índia. As perspectivas para a América Latina estão relativamente estáveis. A explicação é que a chegada dos grandes fundos de private equity é ainda recente, segundo Carlos Asciutti, sócio de transações da Ernst & Young Terco. “O mercado no Brasil é ainda recente, por isso não devemos ver saídas seja por venda ou por abertura de capital, até porque a bolsa se mantém muito volátil e fechada para essas operações. Mas é inevitável que se crie um mercado secundário daqui a uns anos, devido ao porte de fundos que desembarcaram no país”, diz.

Menos capital

Além disso, metade dos entrevistados acredita que serão capazes de financiar as operações com menos capital nos próximos 12 meses. Esta perspectiva positiva, combinada com uma quantidade significativa de capital que ainda não foi gasta, contribui para novos investimentos. No entanto, mais de um terço mostraram preocupação com a qualidade das ofertas atualmente existentes no mercado.

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Para Asciutti, a queda na taxa de juros no país é uma boa notícia para os fundos. "Dessa forma, vão conseguir fazer captações mais facilmente. Além disso, vai melhorar a atividade econômica do país", afirma o executivo, acrescentando que as tendências de investimento dos veículos ainda são setores ligados à demanda doméstica, como infraestrutura, saúde, varejo e educação. “O Brasil ainda enfrenta barreiras para os fundos. Muitas vezes, os números das companhias não são transparentes, as operações demoram muito tempo para serem concretizadas, é difícil se chegar ao valor das empresas e o ambiente regulatório também se apresenta como um entrave. Sem falar, do custo Brasil, do incipiente mercado de dívidas”, diz o executivo.

Desafios

Já os desafios citados pelos entrevistados são a incerteza na Zona do Euro e a desaceleração do crescimento na China. Mais de um terço das gestoras mostraram preocupação sobre a qualidade das ofertas no mercado. Como resultado, o apetite corporativo por fusões e aquisições de empresas tem diminuído. “As empresas estão olhando para dentro de casa para expandir seus negócios”, diz o executivo global da E&Y.

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