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Alertada pelo Banco Central e amparada em autorização judicial, a PF fez buscas na sede do Cruzeiro do Sul e descobriu conversas telefônicas transcritas e arquivadas em computadores do próprio banco

Agência Estado

A Polícia Federal investiga a ação de arapongas nas dependências do Banco Cruzeiro do Sul para monitorar técnicos do Banco Central durante o período em que a instituição foi submetida à auditoria que antecedeu o Regime Especial de Administração Temporária (Raet) e a liquidação extrajudicial.

Alertada pelo BC e amparada em autorização judicial, a PF fez buscas na sede do Cruzeiro do Sul e descobriu interceptações telemáticas (e-mails) e conversas telefônicas transcritas e arquivadas em computadores do próprio banco.

A espionagem revela a estratégia de ocultar informações e dados solicitados pelo Banco Central durante a inspeção.

O Cruzeiro do Sul é alvo de inquérito conduzido pela Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (Delefin) da PF, que apurou rombo de R$ 1,35 bilhão.

O banqueiro Luís Octávio Índio da Costa, ex-controlador da instituição, está preso desde o dia 24 de outubro, por ordem do juiz Márcio Ferro Catapani, da 2ª Vara Criminal Federal em São Paulo. Índio da Costa nega ter conhecimento dos grampos.

O BC decretou a liquidação do Cruzeiro do Sul no dia 14 de setembro, depois que malograram negociações para a venda da instituição, que estava sob regime de intervenção desde junho.

Peritos da PF estão analisando todo o conteúdo das interceptações e de cerca de 100 e-mails trocados entre funcionários do Cruzeiro do Sul.

Preliminarmente, ficou evidenciada a preocupação em selecionar operações a serem comunicadas ao BC, ao mesmo tempo em que eram omitidos dados reveladores do dia a dia do banco.

A PF trabalha com duas hipóteses: as gravações podem ter sido feitas pelo próprio aparato de segurança do banco ou por uma empresa especialmente contratada para essa finalidade, que teria usado um sistema remoto para interceptar e-mails e telefonemas dos auditores.

Caíram na malha dos grampos funcionários do BC, interventores e os próprios administradores originais. Para a PF, alguns diálogos mostram antigos administradores do Cruzeiro do Sul tentando burlar ou ludibriar a fiscalização do BC.

A PF verificou que as interceptações foram realizadas enquanto os técnicos do BC agiam nos escritórios do Cruzeiro do Sul. Eles ficaram sob vigilância durante praticamente todo o período da inspeção, até que suspeitaram da trama. O BC avisou à PF. Alguns e-mails revelam claramente o plano para despistar a auditoria.

A investigação mostra que os arapongas sabiam rigorosamente tudo o que os inspetores faziam, passo a passo da fiscalização. Tinham conhecimento com exatidão dos documentos que estavam sendo analisados e para onde caminhavam os trabalhos. Alguns grampos telefônicos capturados pela PF revelam claramente a intenção de ocultar informações do BC.

Também são investigados pelo rombo na instituição Maria Luísa Garcia de Mendonça, que foi diretora de contadoria do banco, e Horácio Martinho Lima, ex-superintendente de operações e contratos de empréstimos consignados. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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