Tamanho do texto

Mercado busca mudar regras e obter incentivos para atrair mais investidores

Os fundos nacionais de private equity e venture capital devem terminar o ano com captação menor do que os US$ 7 bilhões registrados no ano passado, de acordo com Luiz Eugênio Figueiredo, vice-presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP). O dado é da associação internacional do setor, a EMPEA. Até o terceiro trimestre, a captação do setor no país registra apenas US$ 1,7 bilhão.

Por outro lado, o volume investido deve dobrar e atingir US$ 4 bilhões. Em 2011, os fundos registraram U$ 2,4 bilhões.

“Os gestores colocaram o dinheiro para trabalhar neste ano. Após uma grande captação, é natural que o mercado invista o capital levantado. Faz parte da sazonalidade, não é uma crise”, acredita Figueiredo. Até o terceiro trimestre, os investimentos dos fundos brasileiros foram de US$ 3,4 bilhões.

Figueiredo, porém, diz que fundos e transações de maior porte enfrentam dificuldades. “Muitas empresas não estão dispostas a vender. São restrições que geram dificuldades na negociação e criam concorrência.”

Este ano, assim como 2011, está sendo marcado por poucas saídas dos fundos de negócios investidos, devido à fraqueza do mercado acionário e cenário pouco propício para IPOs.

Propostas

Para 2013, o executivo acredita que o panorama deve mudar. “A tendência é que hajam mais saídas diante de um cenário mais positivo e reformas no mercado de capitais.”

Para incentivar o mercado, principalmente perante investidores estrangeiros, o mercado de fundos busca flexibilizar algumas regras relativas à custos administrativos e quer discutir a utilização de classes de cotas diferentes de acordo com o volume de aportes, bem como discutir a responsabilidade do gestor sobre o fundo. "O objetivo é isolar o investidor qualificado, que não necessita de tanta proteção", diz Figueiredo.

O mercado também busca incentivos para fundos de participações que investem em empresas inovadoras e em infraestrutura, cujo tempo de investimento pode atingir 15 anos. Para os fundos que têm como foco a inovação, buscam incentivos previsto na Lei da Inovação.

“Os produtos no setor de infraestrutura já têm o benefício de isenção de impostos para pessoas físicas, mas ele tem pouco uso prático porque estes fundos não são voltados para o investidor", diz Figueiredo.

A proposta ds ABVCAP já foi encaminhada para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), há cerca de dois meses e ainda não há previsão de audiência pública para discutir as questões.

"Ainda estamos longe deste processo. A CVM já disse que as questões serão tratadas apenas no ano que vem. Entendemos que o órgão regulador vem sendo demandado em um cenário aquecido", afirma Figueiredo. A associação deve se reunir em breve com o regulador para solucionar possíveis dúvidas.

André Domingos, vice-presidente de finanças do grupo Carlyle, defende a criação de regras mais flexíveis específicas para investidores qualificados. “O mercado brasileiro está preso ao pequeno cliente. O investidor qualificado sabe que risco quer correr”, diz.

Para ele, isso diminuiria o custo da operação de fundos. “Hoje o gestor precisa ter seis regulamentos, um para cada perfil de investidor. Em alguns casos, fica inviável.”

A pressão por novas regras vem principalmente de investidores estrangeiros. “Mais criteriosos, eles buscam taxas de administração menores e estão mais atraídos pelo setor, pois querem correr mais riscos no Brasil”, conclui Domingos.

Leia mais notícias de economia, política e negócios no jornal Brasil Econômico

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.